Como foi a temporada do São Paulo em 1997?
A temporada de 1997 do São Paulo Futebol Clube foi marcada por um contraste interessante. O Tricolor apresentou um futebol extremamente ofensivo em determinados momentos, viu surgir definitivamente o talento de Dodô,…

A temporada de 1997 do São Paulo Futebol Clube foi marcada por um contraste interessante. O Tricolor apresentou um futebol extremamente ofensivo em determinados momentos, viu surgir definitivamente o talento de Dodô, contou com nomes que seriam fundamentais nos anos seguintes e chegou muito perto de conquistar dois títulos importantes.
Por outro lado, terminou o ano sem levantar os principais troféus que disputou.
O São Paulo foi vice-campeão paulista, chegou à decisão da Supercopa Sul-Americana e realizou uma campanha irregular no Campeonato Brasileiro. No meio de tudo isso, protagonizou goleadas memoráveis e começou a desenhar parte da equipe que seria campeã paulista no ano seguinte.
Foi também uma temporada marcada pela troca de comando entre Muricy Ramalho e Darío Pereyra.
O São Paulo começou 1997 ainda procurando seu caminho
O contexto daquele São Paulo era bastante diferente daquele vivido poucos anos antes.
Entre 1991 e 1994, o clube havia atravessado uma das fases mais vitoriosas de sua história, conquistando Libertadores, Mundiais, Campeonato Brasileiro, Paulista, Supercopa e Recopa.
Em 1997, porém, o time já vivia outra realidade.
A temporada começou com Muricy Ramalho no comando técnico. Posteriormente, Darío Pereyra assumiu a equipe.
O elenco misturava jogadores experientes com jovens que começavam a ganhar protagonismo. Entre os nomes daquela temporada estavam Rogério Ceni, Serginho, Bordon, Rogério Pinheiro, Axel, Belletti, Edmílson, França, Aristizábal e Dodô.
E seria justamente Dodô quem se transformaria no grande nome ofensivo daquele ano.
Dodô viveu uma temporada espetacular
Falar sobre o São Paulo de 1997 sem destacar Dodô seria praticamente impossível.
O atacante ganhou enorme protagonismo naquele time e encerrou a temporada como seu principal goleador. Compilações estatísticas da temporada atribuem a ele 54 gols no ano, considerando as diferentes competições e partidas disputadas pelo clube.
Seu desempenho no Campeonato Paulista foi especialmente marcante.
Dodô terminou o estadual como artilheiro, com 19 gols, e também foi reconhecido como uma das grandes revelações daquela edição.
O futebol apresentado pelo atacante fez com que seu nome se tornasse um dos símbolos daquele São Paulo.
Era um jogador técnico, habilidoso e com enorme facilidade para finalizar. Não por acaso, o apelido “Artilheiro dos Gols Bonitos” ficaria associado à sua carreira.
Um Campeonato Paulista cheio de gols
Foi no Campeonato Paulista de 1997 que o São Paulo apresentou alguns de seus melhores momentos da temporada.
O time protagonizou diversas goleadas.
Em abril, por exemplo, o Tricolor simplesmente atropelou o Juventus no Morumbi:
São Paulo 8 x 1 Juventus.
Poucos dias depois, venceu o América de São José do Rio Preto por 5 a 2.
E então veio um clássico.
No Pacaembu:
Palmeiras 2 x 4 São Paulo.
A sequência ofensiva continuou.
O São Paulo goleou a Portuguesa por 5 a 1 e, posteriormente, voltou a enfrentar o Palmeiras, dessa vez no Morumbi.
Resultado:
São Paulo 4 x 1 Palmeiras.
Era uma equipe capaz de produzir partidas extremamente ofensivas.
Para quem gosta justamente de recordar aquela geração, o uniforme reserva utilizado naquele período também se tornou uma peça marcante da estética são-paulina dos anos 1990. A camisa do São Paulo de 1997 em sua versão Away é uma maneira de revisitar visualmente aquela temporada e uma época bastante particular da história tricolor.
8 a 1 no Juventus: uma das grandes goleadas do período
Entre tantos resultados expressivos, o 8 a 1 sobre o Juventus merece ser lembrado separadamente.
A partida aconteceu no Morumbi, em abril de 1997.
Os registros históricos do próprio São Paulo apontam esse resultado entre as grandes goleadas do clube no Campeonato Paulista.
Mais do que uma vitória, aquela partida simbolizava uma das principais características da equipe naquele estadual:
o poder ofensivo.
Na reta final da primeira fase e posteriormente no quadrangular decisivo, o São Paulo continuaria produzindo partidas de muitos gols.
O quadrangular final do Campeonato Paulista
O regulamento daquele Campeonato Paulista era diferente dos formatos atuais.
Depois da primeira fase, os quatro classificados disputaram um quadrangular final que definiria o campeão.
São Paulo, Corinthians, Palmeiras e Santos chegaram à fase decisiva.
O Tricolor começou muito bem.
Primeiro derrotou novamente o Palmeiras:
São Paulo 4 x 1 Palmeiras.
Depois venceu o Santos:
São Paulo 1 x 0 Santos.
Isso deixou o clube em excelente situação antes da rodada final.
O adversário seria justamente o Corinthians.
São Paulo x Corinthians decidiu o Paulista
Em 5 de junho de 1997, São Paulo e Corinthians se enfrentaram no Morumbi.
O Tricolor precisava do resultado dentro das condições daquele quadrangular, mas o confronto terminou:
São Paulo 1 x 1 Corinthians.
Com isso, o Corinthians ficou com o Campeonato Paulista e o São Paulo terminou como vice-campeão.
Apesar da frustração, a campanha produziu vários destaques individuais.
Uma seleção organizada pela Folha de S.Paulo ao final da competição colocou quatro são-paulinos entre os destaques do campeonato: Rogério Ceni, Serginho, Dodô e Aristizábal. Dodô também foi apontado pela publicação como a revelação do torneio.
Rogério Ceni já ganhava cada vez mais protagonismo
1997 também pertence a um período muito importante da trajetória de Rogério Ceni.
Ele já aparecia como goleiro do São Paulo nas partidas decisivas e começava a construir a posição que ocuparia no clube durante muitos anos.
Na formação utilizada contra o Corinthians na rodada final do Paulista, por exemplo, Rogério estava no gol.
À sua frente estavam jogadores como Cláudio, Rogério Pinheiro, Bordon e Serginho. O time também contava naquela partida com Axel, Belletti, Luiz Carlos, Fábio Aurélio, Dodô e Aristizábal.
Vários desses nomes continuariam importantes na reconstrução do São Paulo nos anos seguintes.
A camisa de 1997 virou parte da memória daquela geração
Os anos 1990 produziram alguns dos uniformes mais lembrados pelos torcedores do São Paulo.
E 1997 pertence justamente a essa fase.
Uniformes de futebol acabam funcionando como uma espécie de fotografia de uma temporada. Basta rever determinada camisa para imediatamente lembrar dos jogadores, dos clássicos e até das transmissões daquela época.
No caso de 1997, ela remete a Dodô fazendo gols, Rogério Ceni começando sua consolidação, Serginho avançando pela esquerda e um São Paulo capaz de construir goleadas impressionantes.
E como foi o Brasileirão de 1997?
Se o Campeonato Paulista deixou o São Paulo muito perto do título, o Campeonato Brasileiro foi consideravelmente mais irregular.
O clube terminou a primeira fase sem conseguir avançar à etapa seguinte. A compilação da temporada registra o São Paulo na 12ª colocação.
Mesmo assim, houve partidas inesquecíveis.
Uma delas aconteceu no Mineirão.
Em 16 de julho:
Cruzeiro 0 x 5 São Paulo.
Foi uma enorme vitória fora de casa contra uma equipe que naquele mesmo ano conquistaria a Libertadores. O registro oficial de partidas do São Paulo confirma os 5 a 0 no Mineirão.
O problema era a falta de regularidade.
O São Paulo alternava grandes apresentações com tropeços.
Uma campanha brasileira de extremos
Os resultados ajudam a visualizar bem essa oscilação.
Depois do 5 a 0 sobre o Cruzeiro, o São Paulo venceu o Fluminense por 2 a 1.
Mas também perdeu partidas para Vasco, Criciúma, Goiás, Bahia, Atlético-MG, Palmeiras, Portuguesa e Santos ao longo do campeonato.
Em outros momentos, o poder ofensivo reaparecia.
Contra o Sport:
São Paulo 4 x 2 Sport.
E em outubro veio outra goleada enorme:
São Paulo 7 x 1 União São João.
Pouco depois, uma partida completamente maluca contra o Paraná terminou:
São Paulo 4 x 4 Paraná.
Poucos resultados resumem melhor aquele time.
Era um São Paulo capaz de marcar muitos gols, mas que não apresentava a regularidade necessária para disputar o título brasileiro.
A Supercopa mudou o final da temporada
Se o Brasileiro não produziu a campanha esperada, a Supercopa Sul-Americana trouxe novamente a possibilidade de terminar 1997 com um grande título internacional.
A competição reunia clubes campeões da Libertadores e tinha enorme prestígio no futebol sul-americano daquela época.
E o São Paulo fez uma campanha importante.
Logo na fase inicial, houve uma grande atuação no Morumbi:
São Paulo 5 x 1 Vélez Sarsfield.
Depois vieram confrontos contra Olimpia e Flamengo.
Contra o Flamengo, o São Paulo venceu no Morumbi por 1 a 0.
Contra o Olimpia, outra grande vitória:
São Paulo 4 x 1 Olimpia.
O Tricolor avançava.
O Colo-Colo foi o último obstáculo antes da decisão
Na semifinal, o adversário foi o Colo-Colo, do Chile.
No primeiro confronto, disputado no Morumbi, o São Paulo conseguiu excelente vantagem:
São Paulo 3 x 1 Colo-Colo.
Na partida de volta, em Santiago, o Colo-Colo venceu por 1 a 0.
A vantagem construída no Brasil foi suficiente para levar o Tricolor à decisão.
Depois de uma temporada irregular, o São Paulo estava novamente diante da possibilidade de conquistar um troféu continental.
O adversário seria o River Plate.
São Paulo x River Plate na final da Supercopa
A primeira partida da decisão aconteceu no Morumbi em 4 de dezembro.
São Paulo 0 x 0 River Plate.
Tudo ficou aberto para o confronto decisivo na Argentina.
No dia 17 de dezembro, as equipes voltaram a se enfrentar, dessa vez no Monumental de Núñez.
O River venceu:
River Plate 2 x 1 São Paulo.
Com isso, o São Paulo terminou também como vice-campeão da Supercopa Sul-Americana de 1997.
Foi a segunda grande oportunidade de título perdida pelo clube naquele ano.
Uma temporada sem grande título, mas cheia de personagens
Olhando apenas para a lista de troféus, 1997 pode parecer uma temporada discreta.
Mas ela é muito mais interessante quando observada em detalhes.
O São Paulo terminou vice-campeão paulista e vice da Supercopa, enquanto ficou fora da fase decisiva do Campeonato Brasileiro.
Ao mesmo tempo, aquele time produziu goleadas como:
8 a 1 no Juventus.
5 a 2 no América.
5 a 1 na Portuguesa.
4 a 2 e 4 a 1 no Palmeiras.
5 a 0 no Cruzeiro, em pleno Mineirão.
7 a 1 no União São João.
5 a 1 no Vélez Sarsfield.
Não faltaram gols.
Os principais nomes do São Paulo em 1997
Dodô foi o grande destaque ofensivo, mas aquela equipe possuía vários jogadores que permaneceriam associados à história tricolor.
Rogério Ceni avançava em sua consolidação no gol.
Serginho tornou-se uma arma pelo lado esquerdo e depois construiria uma carreira de enorme sucesso no Milan.
Bordon também seguiria posteriormente para o futebol europeu.
Belletti ainda teria uma longa trajetória pela frente, incluindo Seleção Brasileira e futebol europeu.
Edmílson seria campeão mundial pela Seleção em 2002.
França começava a aparecer no ataque e se tornaria um dos principais artilheiros do São Paulo nos anos seguintes.
E Dodô já demonstrava em 1997 por que seria lembrado como um dos atacantes tecnicamente mais talentosos de sua geração.
Para quem gosta de revisitar outros times, temporadas, jogadores e uniformes históricos do clube, a seção dedicada à memória do São Paulo através de diferentes épocas reúne mais histórias do Tricolor.
1997 preparou parte do caminho para 1998
Existe ainda uma maneira interessante de enxergar aquela temporada.
1997 não terminou com o título desejado, mas vários jogadores daquele grupo continuaram no clube.
E o resultado apareceria rapidamente.
No ano seguinte, o São Paulo conquistaria o Campeonato Paulista de 1998, superando justamente o Corinthians na decisão.
França assumiria cada vez mais protagonismo, Rogério Ceni continuaria sua ascensão e o clube iniciaria outro capítulo de sua história.
Por isso, 1997 pode ser entendido como um ano de transição, mas definitivamente não como um ano sem grandes histórias.
Foi a temporada das goleadas.
Da explosão de Dodô.
Do vice-campeonato paulista.
Da caminhada até a final da Supercopa.
Do 5 a 0 no Cruzeiro no Mineirão.
E de uma geração que ajudaria a formar a base do São Paulo que entraria no final da década buscando novamente grandes conquistas.