Maiores goleiros da história do São Paulo: os gigantes que defenderam o gol tricolor
Poucos clubes brasileiros construíram uma relação tão marcante com seus goleiros quanto o São Paulo Futebol Clube. Em diferentes gerações, a camisa 1 tricolor foi defendida por jogadores que se transformaram em…

Poucos clubes brasileiros construíram uma relação tão marcante com seus goleiros quanto o São Paulo Futebol Clube.
Em diferentes gerações, a camisa 1 tricolor foi defendida por jogadores que se transformaram em personagens centrais de títulos estaduais, brasileiros, continentais e mundiais. Alguns permaneceram mais de uma década no clube. Outros estiveram no gol justamente durante períodos que mudaram o tamanho internacional do São Paulo.
Rogério Ceni, Zetti, Waldir Peres, José Poy e Gilmar Rinaldi estão entre os nomes fundamentais dessa história.
E os números oficiais ajudam a dimensionar essa tradição: Rogério Ceni disputou 1.237 partidas pelo São Paulo; Waldir Peres, 617; José Poy, 525; Zetti, 432; e Gilmar Rinaldi, 253.
Mais do que números, porém, cada um representa uma época diferente do clube.
Rogério Ceni: uma história que ultrapassou a posição de goleiro
É praticamente impossível falar sobre goleiros do São Paulo sem começar pela dimensão histórica de Rogério Ceni.
Foram incríveis 1.237 jogos pelo clube, sendo 1.234 deles como titular.
Rogério chegou ao São Paulo ainda jovem, em 1990, e permaneceu no clube durante toda a carreira profissional. No início, encontrou pela frente justamente Zetti, então titular absoluto de uma das equipes mais vitoriosas do planeta.
A transição aconteceu progressivamente.
Quando Zetti deixou o São Paulo no final de 1996, Rogério estava pronto para assumir definitivamente o gol.
A partir dali começou uma história que atravessaria quase duas décadas.
Muito mais do que um goleiro
Rogério tornou-se uma figura incomum no futebol mundial porque acrescentou às funções tradicionais da posição uma característica que mudaria completamente sua carreira:
fazer gols.
Faltas e pênaltis transformaram o goleiro em uma arma ofensiva.
Mas reduzir Rogério aos gols seria ignorar sua importância debaixo das traves.
Sua longevidade permitiu que participasse de diferentes gerações do São Paulo, atravessando períodos de reconstrução até chegar ao extraordinário ciclo iniciado em 2005.
Naquele ano, como capitão, conquistou Campeonato Paulista, Libertadores e Mundial de Clubes.
Na decisão mundial contra o Liverpool, em Yokohama, o São Paulo venceu por 1 a 0 e Rogério realizou uma das defesas mais lembradas de sua carreira, em cobrança de falta de Steven Gerrard.
Depois vieram ainda os três Campeonatos Brasileiros consecutivos de 2006, 2007 e 2008.
Pouquíssimos jogadores personificaram um clube durante tanto tempo.
O começo da era Rogério e o São Paulo de 1997
Um momento particularmente interessante aconteceu justamente em 1997.
Era a primeira temporada completa depois da saída de Zetti e representava uma mudança de geração no gol são-paulino.
Rogério já aparecia como titular em um time que contava com nomes como Dodô, Serginho, Bordon, Belletti, Edmílson, França e Aristizábal.
O São Paulo terminou vice-campeão paulista e chegou também à decisão da Supercopa Sul-Americana.
Foi um ano de grandes goleadas e de consolidação de vários jogadores. Quem quiser entender aquele momento de transição pode conhecer em detalhes como o São Paulo viveu a movimentada temporada de 1997.
Anos depois, Rogério já não seria simplesmente o sucessor de Zetti.
Teria construído sua própria era.
Zetti: o goleiro das maiores conquistas internacionais dos anos 1990
Antes de Rogério Ceni dominar a posição, a camisa 1 pertencia a outro gigante.
Armelino Donizetti Quagliato, o Zetti.
Ele chegou ao São Paulo em 1990 e permaneceu até 1996.
Foram 432 partidas pelo clube.
E poucas carreiras poderiam ter sido mais bem encaixadas justamente no período em que um clube atingiu seu auge.
Zetti foi campeão brasileiro em 1991, paulista em 1991 e 1992, bicampeão da Libertadores em 1992 e 1993 e bicampeão mundial nos mesmos anos.
Também conquistou Supercopa, duas Recopas e Copa Master da Conmebol.
Zetti e a Libertadores de 1992
Existe uma imagem especialmente importante na história do goleiro.
São Paulo e Newell's Old Boys decidiram a Libertadores de 1992 nos pênaltis.
O Morumbi estava completamente tomado.
Depois de empatar o confronto, o Tricolor precisava superar a disputa de penalidades para conquistar pela primeira vez a América.
Zetti defendeu a cobrança de Gamboa.
O São Paulo era campeão da Libertadores.
Aquela defesa se tornou uma das imagens que simbolizam o início da era internacional mais vitoriosa da história tricolor.
Poucos meses depois, Zetti estaria no Japão para outra partida que entraria definitivamente na memória do clube.
Zetti contra Barcelona e Milan
No Mundial de 1992, o São Paulo enfrentou o Barcelona de Johan Cruyff.
Raí marcou duas vezes e o Tricolor venceu por 2 a 1.
Zetti estava no gol.
No ano seguinte, o adversário foi o Milan.
Outra partida histórica.
São Paulo 3 x 2 Milan.
Zetti novamente estava lá.
O goleiro, portanto, foi titular nos dois primeiros títulos mundiais do São Paulo.
Para perceber a dimensão daquela equipe, vale também imaginar quanto custaria atualmente um elenco repleto de estrelas como aquele. Fizemos esse exercício ao analisar qual seria o valor de mercado do São Paulo bicampeão mundial daquela geração nos valores atuais.
As defesas de Zetti contra a Universidad Católica
Outro episódio ajuda a entender por que Zetti ficou tão associado àquela geração.
Na final da Libertadores de 1993 contra a Universidad Católica, no Morumbi, o São Paulo venceu por 5 a 1.
Apesar do placar extremamente favorável ao Tricolor, o adversário também conseguiu produzir oportunidades.
O próprio São Paulo, ao recordar a trajetória do goleiro, destaca uma sequência em que a Universidad Católica atacou quatro vezes seguidas e Zetti realizou quatro intervenções.
Era um goleiro vivendo seu auge justamente durante o auge daquele time.
Waldir Peres: 617 partidas e mais de uma década no gol
Antes de Zetti e Rogério Ceni, outra geração conheceu um dono praticamente permanente da posição.
Waldir Peres.
Ele defendeu o São Paulo entre 1973 e 1984, acumulando impressionantes 617 partidas.
Durante muitos anos, esse número foi uma referência de longevidade dentro do clube.
Waldir participou de uma época importantíssima da história são-paulina e conquistou o Campeonato Brasileiro de 1977, além dos Paulistas de 1975, 1980 e 1981.
O Brasileiro de 1977 possui importância especial.
Waldir Peres e o primeiro Campeonato Brasileiro
O São Paulo ainda buscava seu primeiro título brasileiro quando chegou à decisão de 1977 contra o Atlético-MG.
O confronto terminou sem gols e precisou ser decidido nos pênaltis.
O Tricolor venceu a disputa e conquistou o campeonato.
Waldir Peres era o goleiro daquela equipe.
Sua história no clube, porém, vai muito além de uma única decisão.
Os registros oficiais apontam Waldir como o goleiro são-paulino com mais partidas pelo Campeonato Paulista: 343 jogos, à frente inclusive de Rogério Ceni, que disputou 295.
É um número que mostra o tamanho de sua presença em uma época na qual o estadual ocupava espaço enorme no calendário brasileiro.
José Poy: o argentino que virou símbolo do São Paulo
Para encontrar outro dos grandes goleiros da história tricolor é necessário voltar ainda mais no tempo.
José Poy chegou ao São Paulo no final dos anos 1940.
Argentino de Rosario, construiu uma relação tão forte com o clube que seu nome acabou incorporado à própria memória são-paulina.
Foram 525 partidas pelo São Paulo.
Isso coloca Poy entre os goleiros que mais defenderam o clube em toda a história.
Ele foi o goleiro de uma geração muito anterior à televisão transformar o futebol em um espetáculo nacional permanente.
Mesmo assim, seus números sobreviveram ao tempo.
Poy e uma relação que continuou depois dos gramados
A ligação de José Poy com o São Paulo não terminou quando deixou o gol.
Posteriormente, ele também trabalhou como treinador do clube.
Essa combinação de jogador e técnico tornou sua relação com o Tricolor ainda mais profunda.
Os números oficiais também revelam algo curioso.
Considerando partidas como mandante entre os goleiros de grande utilização, Poy aparece com 77,33% de aproveitamento de pontos, marca superior às registradas por vários outros grandes nomes da posição no clube.
Estatísticas de épocas tão diferentes precisam ser contextualizadas, mas ajudam a revelar a dimensão que Poy possuía dentro de sua geração.
Gilmar Rinaldi: campeão brasileiro na geração dos Menudos
Entre Waldir Peres e Zetti existiu outro goleiro fundamental.
Gilmar Rinaldi.
Gilmar chegou ao São Paulo em 1985 e fez parte de uma geração jovem e extremamente talentosa.
Era o período dos chamados Menudos do Morumbi.
O time reunia jogadores como Müller, Silas, Pita e Sidney, além de outros nomes importantes.
Gilmar disputou 253 partidas pelo São Paulo, segundo as estatísticas históricas do clube.
Seu principal título foi o Campeonato Brasileiro de 1986.
A dramática final brasileira de 1986
São Paulo e Guarani protagonizaram uma das decisões mais emocionantes da história do Campeonato Brasileiro.
Depois de dois jogos extremamente equilibrados, a definição chegou aos pênaltis.
O São Paulo venceu.
Gilmar estava no gol.
Além daquele Brasileiro, o goleiro também participou das conquistas paulistas de 1985 e 1987.
Sua trajetória acabou funcionando como uma ponte entre duas grandes épocas.
Primeiro, a geração dos Menudos.
Depois, sua saída abriu espaço para a consolidação de Zetti, que assumiria a posição durante o período de Telê Santana.
Suly também merece ser lembrado
Quando observamos apenas as gerações mais recentes, alguns goleiros históricos acabam esquecidos.
Um deles é Suly Cabral Machado.
Suly disputou 266 partidas pelo São Paulo.
O número é expressivo: entre os goleiros que mais vezes foram titulares pelo clube, aparece atrás apenas de Rogério Ceni, Waldir Peres, José Poy e Zetti entre os nomes históricos mais longevos da posição.
Ele pertence a uma geração menos presente na memória audiovisual dos torcedores atuais, mas seus números mostram que ocupou a meta são-paulina durante um período significativo.
King: um dos grandes goleiros das primeiras décadas
Outro nome histórico é Nivacir Innocêncio Fernandes, o King.
Ele aparece nos levantamentos oficiais do São Paulo com 204 partidas.
King pertence a uma fase ainda mais antiga da história tricolor.
Relembrá-lo é importante porque a tradição de grandes goleiros do São Paulo não nasceu com Waldir Peres, Zetti ou Rogério.
Ela atravessa praticamente toda a existência do clube.
Sérgio Valentim e outros nomes importantes
Sérgio Wágner Valentim também possui números expressivos.
Foram 202 partidas defendendo o São Paulo.
Além dele, nomes como Picasso, Gijo, Mário de Oliveira e outros goleiros aparecem com destaque nos levantamentos históricos do clube.
Nem todos são conhecidos pelas gerações atuais, mas tiveram períodos importantes como titulares.
Isso mostra como a posição sempre teve um peso especial no São Paulo.
Três gerações e uma passagem simbólica da camisa 1
Existe uma sequência especialmente interessante na história tricolor.
Waldir Peres → Gilmar → Zetti → Rogério Ceni.
Não foi uma sucessão imediata e perfeita — outros goleiros também passaram pelo clube e disputaram espaço durante esses períodos —, mas esses quatro nomes ajudam a contar décadas da evolução da posição.
Waldir representa principalmente os anos 1970 e o começo dos anos 1980.
Gilmar representa a geração dos Menudos.
Zetti representa a era de Telê Santana e a conquista do mundo.
Rogério representa a geração seguinte e posteriormente lidera o São Paulo novamente até o topo mundial.
Poucos clubes conseguem contar uma parcela tão grande de sua própria história simplesmente observando quem vestia as luvas.
Quem mais jogou no gol do São Paulo?
Os registros oficiais ajudam a visualizar a dimensão dessas trajetórias. Entre os goleiros com mais partidas pelo clube aparecem Rogério Ceni, com 1.237 jogos; Waldir Peres, com 617; José Poy, com 525; Zetti, com 432; Suly, com 266; Gilmar Rinaldi, com 253; King, com 204; e Sérgio Valentim, com 202.
A distância de Rogério Ceni para todos os demais é impressionante.
Mas os números também revelam algo maior: várias gerações do São Paulo tiveram goleiros capazes de permanecer centenas de partidas na posição.
Das primeiras décadas aos títulos mundiais
Cada período produziu seus próprios personagens.
José Poy ajudou a consolidar a tradição ainda no futebol de outra época.
Waldir Peres esteve presente no primeiro Campeonato Brasileiro.
Gilmar participou da geração dos Menudos e do Brasileiro de 1986.
Zetti defendeu o gol durante as Libertadores e os Mundiais que transformaram o São Paulo em potência internacional.
Rogério Ceni recebeu essa herança e construiu uma trajetória sem paralelo no clube.
A própria despedida de Zetti ajuda a simbolizar essa continuidade. Ao recordar a carreira do bicampeão mundial, o São Paulo observa que sua saída, em 1996, abriu caminho para Rogério assumir a camisa que defenderia durante tantos anos.
Mudaram os jogadores, os treinadores, os adversários e até o futebol.
A importância do goleiro para a história do São Paulo permaneceu.
Uma posição diferente no São Paulo
Existem clubes lembrados por seus grandes camisas 10.
Outros construíram tradições de centroavantes ou reveladores de laterais.
No São Paulo, os goleiros ocupam um espaço muito particular.
É difícil contar a história do primeiro Brasileiro sem Waldir Peres.
É impossível separar os Mundiais de 1992 e 1993 de Zetti.
E não existe maneira de explicar o São Paulo das décadas de 1990, 2000 e primeira metade dos anos 2010 sem dedicar um capítulo inteiro a Rogério Ceni.
Antes deles, José Poy já havia construído sua própria relação histórica com o clube.
Por isso, quando um goleiro entra em campo vestindo a camisa do São Paulo, ele não assume simplesmente uma posição.