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Futebol Brasileiro

Maiores goleiros da história do Santos: os grandes paredões que marcaram o Peixe

Quando pensamos na história do Santos, é natural que os primeiros nomes lembrados sejam de jogadores ofensivos. Pelé, Pepe, Coutinho, Neymar e tantos outros ajudaram a construir a fama de um clube…

Blog do Capita

8 min de leitura

Quando pensamos na história do Santos, é natural que os primeiros nomes lembrados sejam de jogadores ofensivos. Pelé, Pepe, Coutinho, Neymar e tantos outros ajudaram a construir a fama de um clube associado ao futebol ofensivo e aos grandes craques.

Mas existe outra tradição importante na Vila Belmiro: a dos grandes goleiros.

O Santos teve campeões mundiais, recordistas de partidas, estrangeiros que se transformaram em ídolos e goleiros decisivos em algumas das conquistas mais importantes de sua história.

Manga é o recordista da posição, com 401 partidas. Fábio Costa aparece logo depois, com 345, seguido por Laércio, com 337, e Gylmar dos Santos Neves, com 331, segundo levantamento do próprio Santos.

Esses números, entretanto, contam apenas uma parte da história.

Gylmar dos Santos Neves e a era mais vitoriosa do Santos

Poucos goleiros brasileiros possuem um currículo comparável ao de Gylmar dos Santos Neves.

Ele chegou ao Santos em 1962, justamente quando o time de Pelé estava entrando no período de maior domínio internacional de sua história. Permaneceu até 1969 e disputou 331 partidas pelo clube.

Gylmar esteve no gol nas maiores conquistas daquela geração.

Foi campeão da Libertadores e do Mundial Interclubes em 1962 e 1963, além de acumular títulos nacionais e estaduais durante sua passagem pela Vila Belmiro. O próprio Santos o apresenta como sua principal referência histórica entre os goleiros.

Há ainda uma dimensão maior em sua carreira.

Antes mesmo de chegar ao Peixe, Gylmar já havia sido campeão da Copa do Mundo de 1958. Em 1962, voltou a ser titular do Brasil no bicampeonato mundial.

Isso significa que, em um intervalo extraordinariamente curto, Gylmar conquistou a Copa do Mundo com a Seleção Brasileira em uma das épocas mais gloriosas de sua história e, pelo Santos, Libertadores e Mundial.

O resultado foi uma combinação raríssima: um dos maiores times de clubes já formados tinha também um dos maiores goleiros de sua geração.

Manga: o goleiro que mais jogou pelo Santos

Se Gylmar está associado às maiores conquistas internacionais, Agenor Gomes, o Manga, possui outro recorde impressionante.

Ele é o goleiro que mais vezes entrou em campo pelo Santos.

Foram 401 partidas entre 1951 e 1959.

Manga chegou à Vila Belmiro por indicação do técnico Aymoré Moreira. Curiosamente, havia começado no futebol como centroavante antes de uma oportunidade inesperada levá-lo para o gol.

No Santos, tornou-se um dos grandes jogadores da posição.

Participou dos títulos paulistas de 1955, 1956 e 1958, justamente durante o processo de transformação que faria do clube uma potência mundial na década seguinte.

Quando deixou o Peixe, em 1959, havia estabelecido uma marca que permanece de pé décadas depois.

Mais de 400 partidas defendendo a meta santista tornam Manga indispensável em qualquer discussão sobre os grandes goleiros da história do clube.

Laércio: 337 partidas e presença na geração de ouro

Existe um goleiro que muitas vezes recebe menos atenção justamente porque dividiu época com Gylmar.

Laércio merece ser lembrado.

Ele disputou 337 partidas, número que o coloca entre os goleiros que mais atuaram pelo Santos.

Quando Gylmar estreou pelo Peixe, em janeiro de 1962, foi justamente Laércio quem iniciou aquela partida contra o Barcelona de Guayaquil antes da entrada do novo goleiro.

A presença de dois arqueiros desse nível no mesmo período demonstra a profundidade daquele elenco.

Em praticamente qualquer outra geração, 337 jogos seriam suficientes para transformar um goleiro automaticamente na principal referência histórica da posição.

No Santos, Laércio precisou dividir espaço na memória popular com Gylmar.

Isso não diminui sua importância.

Fábio Costa: o goleiro de uma geração que recolocou o Santos no topo

O início dos anos 2000 representou um renascimento esportivo do Santos.

Depois de um longo período sem conquistar o Campeonato Brasileiro, surgiu uma geração extremamente talentosa que devolveu o clube ao protagonismo nacional.

E um dos personagens daquela época foi Fábio Costa.

Somando suas passagens pelo Santos, o goleiro chegou a 345 partidas, sendo superado entre os arqueiros apenas por Manga no levantamento histórico do clube.

Fábio Costa esteve no grupo campeão brasileiro de 2002, título especialmente simbólico porque encerrou uma longa espera santista por uma grande conquista nacional.

Posteriormente retornaria ao clube e participaria de outras campanhas importantes.

Seu estilo intenso, personalidade forte e capacidade de decidir partidas fizeram com que dificilmente passasse despercebido.

Independentemente das diferentes opiniões que seu estilo despertava, os números e as conquistas colocam Fábio Costa entre os goleiros mais importantes da história moderna do Santos.

Rodolfo Rodríguez e uma das defesas mais famosas da Vila Belmiro

Algumas atuações sobrevivem ao tempo.

Para o torcedor santista que acompanhou a década de 1980, poucas imagens representam isso tão bem quanto Rodolfo Rodríguez enfrentando o América de São José do Rio Preto em 1984.

O uruguaio realizou uma sequência extraordinária de defesas praticamente no mesmo lance, impedindo repetidamente o gol adversário.

A atuação tornou-se tão emblemática que posteriormente Rodolfo recebeu uma placa na Vila Belmiro em homenagem à defesa.

Mas reduzir sua passagem àquele lance seria injusto.

Rodolfo chegou ao Santos em 1984 depois de construir uma carreira de enorme prestígio no futebol uruguaio. A negociação foi difícil, e o próprio Pelé chegou a emprestar dinheiro ao clube para ajudar na contratação do goleiro.

O resultado valeu o esforço.

Foram 255 partidas, e Rodolfo teve participação fundamental na conquista do Campeonato Paulista de 1984.

Tornou-se um dos grandes ídolos santistas daquela década.

Cejas: o argentino que conquistou a Vila

Antes de Rodolfo, outro estrangeiro já havia se transformado em referência no gol santista.

O argentino Agustín Mario Cejas chegou com uma missão nada simples: substituir Gylmar.

Defendeu o Santos entre 1970 e 1974 e disputou 253 partidas.

Cejas era conhecido pela coragem nas saídas do gol, pela boa colocação e especialmente pela capacidade de defender pênaltis.

E essa característica seria fundamental em um dos momentos mais curiosos da história do Campeonato Paulista.

Na decisão estadual de 1973 contra a Portuguesa, Cejas defendeu duas cobranças na disputa de pênaltis. O Santos acabou declarado campeão ao lado da Portuguesa depois do famoso erro de contagem cometido pelo árbitro Armando Marques.

Independentemente da confusão daquela decisão, a atuação de Cejas reforçou sua identificação com a torcida.

O próprio Santos o coloca, ao lado de Rodolfo Rodríguez, entre as maiores referências estrangeiras que já defenderam a posição no clube.

Sérgio e os anos de transição

Entre o final dos anos 1980 e a década de 1990, Sérgio também acumulou uma quantidade expressiva de partidas.

O goleiro disputou 241 jogos pelo Santos em passagens entre 1989 e 1993 e novamente em 1996, segundo os registros históricos do clube.

Foi uma época bastante diferente daquela vivida pelas equipes de Gylmar ou Manga.

O Santos atravessava anos de reconstrução, alternando boas campanhas com períodos mais difíceis.

Justamente por isso, permanecer tantas partidas no gol durante aquela fase dá a Sérgio uma posição importante na cronologia dos arqueiros santistas.

Rafael Cabral e a Libertadores de 2011

Décadas depois da geração de Pelé, o Santos voltou ao topo da América.

Na conquista da Copa Libertadores de 2011, o goleiro titular era um jogador formado dentro do próprio clube: Rafael Cabral.

Ainda jovem, Rafael assumiu a posição e rapidamente se tornou uma das peças importantes da equipe comandada por Muricy Ramalho.

Aquele time tinha Neymar, Ganso, Elano, Danilo, Arouca e outros jogadores extremamente talentosos, mas a segurança defensiva também foi essencial para que o Santos conquistasse sua terceira Libertadores.

Para um clube conhecido mundialmente por revelar atacantes e meias ofensivos, ver um goleiro formado em casa assumir protagonismo em uma conquista continental teve um significado especial.

Rafael posteriormente seguiria carreira no futebol europeu, mas ficou definitivamente associado à geração santista de 2010 e 2011.

John e João Paulo: goleiros formados pelo próprio Santos

A tradição santista na posição também ganhou novos representantes vindos das categorias de base.

John teve participação importante na campanha que levou o Santos à final da Libertadores de 2020, disputada em janeiro de 2021.

Já João Paulo tornou-se uma das principais referências técnicas do clube nos anos seguintes.

Eles pertencem a uma realidade muito diferente daquela encontrada por Manga nos anos 1950 ou Gylmar na década de 1960.

O futebol mudou, a função do goleiro evoluiu e a participação com os pés ganhou importância cada vez maior.

Mas a responsabilidade permanece a mesma.

Defender o gol de um clube cuja história exige protagonistas.

Uma posição que atravessa toda a história santista

Observar os grandes goleiros do Santos também é uma maneira diferente de percorrer a própria história do clube.

Manga ajuda a contar a transformação dos anos 1950.

Gylmar representa a equipe que conquistou o mundo.

Cejas simboliza a transição para os anos 1970.

Rodolfo Rodríguez é um dos rostos da geração de 1984.

Sérgio atravessa parte dos anos 1990.

Fábio Costa está ligado diretamente ao renascimento do início do século XXI.

Rafael Cabral aparece na Libertadores de 2011.

E nomes mais recentes mantiveram a tradição.

Quem quiser continuar essa viagem por outras gerações, jogadores e conquistas pode explorar nossa seção dedicada às histórias do Santos que ajudam a entender por que a Vila Belmiro revelou e recebeu tantos personagens inesquecíveis.

Quem foi o maior goleiro da história do Santos?

Não existe uma resposta única porque cada critério leva a uma discussão diferente.

Se considerarmos número de partidas, Manga ocupa posição privilegiada com seus 401 jogos.

Se o peso estiver nas maiores conquistas internacionais e também na carreira pela Seleção Brasileira, Gylmar possui um currículo excepcional.

Se o critério for identificação com uma geração específica, Rodolfo Rodríguez, Cejas e Fábio Costa apresentam argumentos próprios.

E é exatamente isso que torna a história tão rica.

O Santos não teve apenas um grande goleiro.

Teve uma sequência deles.

Do período anterior a Pelé às conquistas do século XXI, a camisa de goleiro do Peixe foi utilizada por jogadores que ajudaram a construir algumas das páginas mais importantes da história da Vila Belmiro.

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