Maiores goleiros da história da Noruega: os grandes nomes que defenderam a seleção
A Noruega talvez seja mais lembrada internacionalmente por atacantes, meio-campistas e defensores que construíram carreiras importantes no futebol europeu. Nos últimos anos, nomes como Erling Haaland e Martin Ødegaard ampliaram ainda mais…

A Noruega talvez seja mais lembrada internacionalmente por atacantes, meio-campistas e defensores que construíram carreiras importantes no futebol europeu. Nos últimos anos, nomes como Erling Haaland e Martin Ødegaard ampliaram ainda mais a visibilidade da seleção.
Mas existe também uma interessante tradição de goleiros noruegueses.
Erik Thorstvedt foi um dos símbolos da geração que recolocou o país em uma Copa do Mundo depois de décadas de ausência. Frode Grodås estava no gol durante a inesquecível campanha de 1998. Thomas Myhre assumiu a posição na virada do século. Rune Jarstein tornou-se referência durante os anos 2010, enquanto Ørjan Nyland passou a representar a geração seguinte.
Os números ajudam a dimensionar essa história. Thorstvedt disputou 97 partidas pela seleção principal; Jarstein chegou a 72; Nyland já alcançou 76 até setembro de 2026; Myhre fez 56.
São diferentes épocas conectadas pela mesma responsabilidade: proteger o gol de uma seleção que, em seus melhores momentos, mostrou ser capaz de enfrentar qualquer potência do futebol mundial.
Erik Thorstvedt: a grande referência histórica
Quando se fala nos maiores goleiros da história da Noruega, Erik Thorstvedt inevitavelmente ocupa posição de destaque.
O goleiro estreou pela seleção principal em novembro de 1982 e permaneceu defendendo o país até março de 1996. Foram 97 partidas, número confirmado pelos registros da Federação Norueguesa de Futebol.
Isso significa que Thorstvedt não é apenas um dos goleiros mais longevos da seleção.
Ele está entre os jogadores com maior número de partidas de toda a história norueguesa.
Durante sua trajetória, acompanhou a transformação da Noruega de uma seleção distante dos principais torneios para uma equipe competitiva no cenário europeu.
E essa evolução culminaria na classificação para a Copa do Mundo de 1994.
Thorstvedt e o retorno da Noruega à Copa do Mundo
Quando a Noruega chegou aos Estados Unidos em 1994, havia um enorme significado histórico por trás daquela participação.
O país não disputava uma Copa do Mundo desde 1938.
Thorstvedt era o titular no gol.
A Noruega venceu o México por 1 a 0, perdeu para a Itália pelo mesmo placar e empatou sem gols com a Irlanda.
Foi um dos grupos mais equilibrados da história dos Mundiais: as quatro seleções terminaram com quatro pontos, e os critérios de desempate eliminaram os noruegueses.
Apesar da saída precoce, aquela geração abriu caminho para um período especial do futebol do país.
Para conhecer outros personagens que fizeram parte dessa evolução, vale conferir também nossa seleção dos 30 maiores jogadores da história da Noruega, que ajuda a dimensionar o papel de Thorstvedt dentro de uma perspectiva muito maior.
Thorstvedt também fez história na Inglaterra
A importância de Erik Thorstvedt não ficou restrita à seleção.
Depois de passar por Viking, Borussia Mönchengladbach e IFK Göteborg, o goleiro chegou ao Tottenham em 1988.
Permaneceu no clube inglês até 1996 e disputou 173 partidas de liga, além de fazer parte da equipe vencedora da FA Cup de 1991.
Essa experiência em um campeonato altamente competitivo ajudou a consolidá-lo como uma das grandes referências norueguesas no futebol internacional antes da explosão de jogadores do país na Premier League durante os anos 1990.
Frode Grodås: o goleiro da histórica Copa de 1998
Se Thorstvedt representa o Mundial de 1994, Frode Grodås está diretamente associado à campanha seguinte.
Ele assumiu a posição depois da aposentadoria internacional de Thorstvedt e tornou-se o titular da Noruega na Copa do Mundo de 1998.
Grodås acumulou 50 partidas pela seleção, em uma carreira internacional que começou em 1991 e se estendeu até 2002.
Mas quatro jogos disputados na França acabaram ganhando um peso enorme em sua história.
Porque aquela Noruega faria algo que nenhum torcedor do país esqueceria.
A vitória histórica contra o Brasil
A Noruega chegou à última rodada da fase de grupos da Copa de 1998 precisando vencer o Brasil para garantir a classificação sem depender de outras combinações.
O adversário era o atual campeão mundial.
E o Brasil abriu o placar com Bebeto.
A situação parecia praticamente definida.
Mas a Noruega reagiu.
Tore André Flo empatou aos 38 minutos do segundo tempo e Kjetil Rekdal virou de pênalti aos 44.
Noruega 2 x 1 Brasil.
O resultado colocou os noruegueses nas oitavas de final.
Grodås era o goleiro e capitão daquela equipe.
É justamente por partidas como essa que a seleção de 1998 permanece tão presente na memória do futebol norueguês. Para imaginar como aquele elenco seria avaliado no mercado moderno, também fizemos uma análise sobre quanto valeria hoje a Noruega que disputou a Copa do Mundo de 1998.
A eliminação contra a Itália
Depois de eliminar o Brasil na fase de grupos, a Noruega enfrentou a Itália nas oitavas.
Era um confronto especialmente complicado.
A equipe italiana tinha nomes como Paolo Maldini, Fabio Cannavaro, Alessandro Costacurta, Roberto Baggio e Christian Vieri.
Vieri marcou o único gol da partida.
A Itália venceu por 1 a 0 e encerrou a melhor campanha norueguesa em uma Copa do Mundo na era moderna.
Mesmo com a eliminação, Grodås saiu daquele Mundial definitivamente associado a uma das maiores gerações da história de seu país.
Thomas Myhre: o sucessor da geração de 1998
A transição seguinte levou Thomas Myhre ao gol da seleção.
Ele estreou pela equipe principal em 1998 e disputou 56 partidas pela Noruega até 2007.
Myhre surgiu em um período no qual o país ainda vivia a força da geração dos anos 1990.
Foi convocado para a Copa do Mundo de 1998, embora Frode Grodås fosse o titular naquele torneio.
Pouco depois, assumiria definitivamente a posição.
A Euro 2000
Thomas Myhre foi o goleiro titular da Noruega na Eurocopa de 2000.
E aquela competição produziu outro resultado marcante.
Logo na estreia, os noruegueses derrotaram a Espanha por 1 a 0.
Steffen Iversen marcou o gol.
A Noruega posteriormente perdeu para a Iugoslávia e empatou sem gols com a Eslovênia.
Terminou eliminada ainda na fase de grupos, mas sofreu apenas um gol em três partidas.
Foi também a última participação da seleção masculina norueguesa em uma grande competição internacional por muitos anos.
Myhre, portanto, ocupa uma posição interessante nessa linha do tempo: foi o goleiro que encerrou a sequência de participações iniciada com Thorstvedt em 1994.
Rune Jarstein: a referência dos anos 2010
Depois de diferentes mudanças na posição durante os anos 2000, Rune Almenning Jarstein conseguiu estabelecer uma longa trajetória como goleiro da seleção.
Sua estreia aconteceu em 2007.
Jarstein disputou 72 partidas pela Noruega até 2021, de acordo com o levantamento histórico atualizado da RSSSF Norway.
Foi titular durante diferentes ciclos de Eliminatórias e passou boa parte da carreira internacional tentando ajudar o país a retornar aos grandes torneios.
A Noruega não conseguiu a classificação durante sua fase como principal goleiro, mas Jarstein permaneceu durante anos como uma das figuras mais estáveis da equipe.
Também construiu uma carreira relevante no futebol alemão, especialmente pelo Hertha Berlin.
Ørjan Nyland e a geração de Haaland e Ødegaard
A responsabilidade passou posteriormente para Ørjan Nyland.
Sua estreia pela Noruega ocorreu em novembro de 2013.
Desde então, atravessou diferentes ciclos e dividiu o período de transição com Jarstein antes de assumir protagonismo.
Em setembro de 2026, Nyland já havia alcançado 76 partidas pela seleção, colocando-se entre os jogadores mais utilizados da história norueguesa e aproximando-se das maiores marcas entre os goleiros do país.
Sua geração possui uma característica bastante diferente das anteriores.
Nyland passou a defender uma seleção liderada por jogadores de enorme projeção internacional, especialmente Haaland e Ødegaard.
Nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026, a Noruega terminou sua campanha com oito vitórias em oito partidas, 37 gols marcados e apenas cinco sofridos; Nyland aparece como o principal goleiro daquela campanha nas estatísticas compiladas pelo FBref.
É uma nova fase da história norueguesa.
Asbjørn Hansen: uma referência muito antes da geração moderna
Seria injusto contar essa história começando apenas nos anos 1980.
Décadas antes de Thorstvedt, a Noruega já possuía goleiros de enorme importância nacional.
Um dos principais foi Asbjørn Hansen.
Ele defendeu a seleção entre 1952 e 1961, acumulando 52 partidas internacionais. Durante grande parte da década de 1950, foi o goleiro titular do país.
O contexto era completamente diferente.
O futebol norueguês ainda estava distante do processo de internacionalização que posteriormente levaria tantos jogadores do país às grandes ligas europeias.
Mesmo assim, Hansen construiu uma marca que resistiu por décadas.
Seus 52 jogos mostram por que qualquer retrospectiva histórica da posição precisa ultrapassar as gerações das Copas de 1994 e 1998.
Henry Johansen e a Copa do Mundo de 1938
É necessário voltar ainda mais no tempo para encontrar o goleiro da primeira participação norueguesa em uma Copa do Mundo.
Henry Johansen estava no gol da Noruega no Mundial de 1938.
A competição tinha formato eliminatório desde o início, e os noruegueses enfrentaram justamente a Itália, então campeã mundial.
A partida terminou empatada em 1 a 1 no tempo regulamentar.
Na prorrogação, Silvio Piola marcou e deu a vitória por 2 a 1 aos italianos.
A Itália seguiria até conquistar novamente o título mundial.
Para a Noruega, aquela partida permaneceu durante décadas como sua única experiência em Copas. O país só retornaria ao torneio em 1994.
Isso coloca Johansen em um capítulo único da história da seleção.
Erik Thorstvedt, Grodås, Myhre, Jarstein ou Nyland?
Comparar goleiros de épocas diferentes exige cuidado.
Thorstvedt possui uma combinação muito forte de longevidade, número de partidas, carreira internacional e participação no retorno da Noruega às Copas.
Grodås tem o peso histórico de ter sido o capitão e goleiro da seleção de 1998, incluindo a vitória sobre o Brasil.
Myhre foi titular na Euro 2000 e permaneceu durante anos como referência.
Jarstein acumulou 72 partidas em uma fase de reconstrução da seleção.
Nyland atravessou a geração mais recente e alcançou 76 jogos pela equipe nacional até setembro de 2026.
Asbjørn Hansen, por sua vez, precisa ser considerado dentro de um contexto completamente diferente, quando chegar a mais de 50 partidas internacionais era algo ainda mais incomum.
Em vez de reduzir essa história a uma ordem definitiva, os números ajudam a mostrar o peso de cada geração.
Uma posição que acompanha as diferentes eras da Noruega
A história dos goleiros noruegueses também funciona como uma linha do tempo da própria seleção.
Henry Johansen representa a primeira Copa, em 1938.
Asbjørn Hansen simboliza boa parte dos anos 1950.
Erik Thorstvedt atravessa a transformação que culminou no Mundial de 1994.
Frode Grodås está eternamente ligado à geração de 1998.
Thomas Myhre representa a Euro 2000.
Rune Jarstein atravessou os anos de tentativa de reconstrução internacional.
E Ørjan Nyland passou a defender o gol justamente quando uma nova geração liderada por Haaland e Ødegaard colocou novamente a Noruega em evidência.
Para continuar percorrendo essas diferentes épocas, nossa seção dedicada à Seleção Norueguesa reúne outras histórias, jogadores e momentos que ajudam a explicar a evolução do futebol do país.
Porque, mesmo em uma seleção frequentemente lembrada por seus atacantes, alguns dos personagens mais importantes estavam exatamente no extremo oposto do campo.