Maiores goleiros da história da Itália: os gigantes que defenderam a Azzurra
Poucas seleções construíram uma tradição de goleiros comparável à da Itália. Ao longo de quase um século, a Azzurra contou com arqueiros que não apenas marcaram suas respectivas gerações, mas ajudaram a…

Poucas seleções construíram uma tradição de goleiros comparável à da Itália. Ao longo de quase um século, a Azzurra contou com arqueiros que não apenas marcaram suas respectivas gerações, mas ajudaram a definir a própria maneira italiana de compreender a posição.
Gianpiero Combi foi campeão mundial em 1934. Dino Zoff levantou a Copa do Mundo como capitão em 1982. Walter Zenga estabeleceu uma sequência histórica de invencibilidade em Mundiais. Gianluca Pagliuca atravessou os anos 1990 como uma das principais referências da posição. Francesco Toldo protagonizou uma atuação inesquecível na Euro 2000. Gianluigi Buffon comandou a defesa campeã mundial em 2006. E Gianluigi Donnarumma assumiu posteriormente a responsabilidade de continuar essa tradição.
A Itália não teve apenas bons goleiros.
Teve diferentes gerações de jogadores que ajudaram a transformar a camisa 1 italiana em uma das mais respeitadas do futebol mundial.
Gianluigi Buffon: duas décadas defendendo a Itália
É impossível começar por outro nome.
Gianluigi Buffon possui 176 partidas pela seleção italiana, recorde absoluto entre todos os jogadores que defenderam a Azzurra. Foram ainda 214 convocações e 80 partidas como capitão.
Sua estreia aconteceu em circunstâncias quase cinematográficas.
Em 27 de outubro de 1997, com apenas 19 anos, Buffon entrou durante o playoff das Eliminatórias da Copa de 1998 contra a Rússia, em Moscou, substituindo Gianluca Pagliuca. O jogo aconteceu sob neve intensa.
Era o início de uma trajetória que duraria mais de 20 anos.
Buffon esteve nas Copas de 1998, 2002, 2006, 2010 e 2014, embora não tenha entrado em campo no primeiro desses torneios.
E foi justamente em 2006 que alcançou seu maior momento.
Buffon e a Copa do Mundo de 2006
A campanha italiana na Alemanha foi extraordinária defensivamente.
Buffon sofreu apenas dois gols em todo o Mundial: um gol contra de Cristian Zaccardo diante dos Estados Unidos e o pênalti convertido por Zinédine Zidane na decisão contra a França.
Nenhum adversário marcou contra Buffon com a bola rolando naquela Copa.
Ao lado de Cannavaro, Materazzi, Zambrotta, Grosso e companhia, o goleiro comandou uma das defesas mais eficientes da história recente dos Mundiais.
Aquela geração ficou eternizada também visualmente. A camisa da Itália de 2006 imediatamente remete ao time que superou Alemanha na semifinal e França na decisão para conquistar o tetracampeonato mundial.
Buffon tinha 28 anos.
Ainda defenderia a Itália por mais de uma década.
Dino Zoff: campeão mundial aos 40 anos
Se Buffon representa longevidade, Dino Zoff levou essa característica a um patamar extraordinário.
Foram 112 partidas pela Itália, número que ainda o coloca entre os jogadores com mais atuações pela seleção.
Sua história internacional começou muito antes do Mundial de 1982.
Zoff foi campeão da Eurocopa de 1968, disputada justamente na Itália.
Depois participou das Copas do Mundo de 1970, 1974, 1978 e 1982.
Foi na última que escreveu seu capítulo mais famoso.
Aos 40 anos, Zoff era capitão da seleção comandada por Enzo Bearzot.
Depois de uma primeira fase complicada, a Itália eliminou Argentina e Brasil, passou pela Polônia na semifinal e derrotou a Alemanha Ocidental por 3 a 1 na decisão.
Zoff levantou a taça.
A imagem do veterano capitão recebendo a Copa do Mundo tornou-se uma das cenas mais emblemáticas da história do futebol italiano.
A defesa contra o Brasil que ajudou a mudar a Copa de 1982
Um dos momentos fundamentais daquela conquista aconteceu contra o Brasil.
A seleção brasileira precisava do empate para avançar, enquanto a Itália necessitava da vitória.
Paolo Rossi marcou três vezes e a Azzurra venceu por 3 a 2.
Nos minutos finais, porém, o Brasil pressionou.
Zoff precisou defender uma cabeçada de Oscar praticamente sobre a linha.
Era uma intervenção decisiva em uma partida que se tornaria uma das mais famosas da história das Copas.
Poucos dias depois, Zoff estaria erguendo o troféu em Madri.
Gianpiero Combi: o primeiro goleiro italiano campeão mundial
Muito antes de Zoff e Buffon existia Gianpiero Combi.
Ele foi o goleiro e capitão da Itália campeã da Copa do Mundo de 1934.
Combi pertencia a uma geração completamente diferente do futebol. Os goleiros praticamente não tinham a preparação específica existente atualmente, os equipamentos eram rudimentares e as regras da posição também eram outras.
Mesmo assim, tornou-se uma referência internacional.
Disputou 47 partidas pela seleção italiana, marca extremamente significativa para aquele período e que décadas depois seria igualada por Donnarumma em 2022.
Combi também construiu toda sua carreira em clubes defendendo a Juventus.
Sua importância histórica é enorme: foi o primeiro goleiro a levantar uma Copa do Mundo pela Itália.
Walter Zenga: praticamente imbatível em 1990
A Copa do Mundo de 1990 foi disputada na Itália e criou enorme expectativa sobre a seleção da casa.
No gol estava Walter Zenga.
E durante boa parte do torneio ele simplesmente não sofreu gols.
Zenga passou 517 minutos sem ser vazado, marca que permaneceu como recorde de invencibilidade de um goleiro em Copas do Mundo por 36 anos.
A Itália passou toda a fase de grupos sem sofrer gols.
Depois eliminou Uruguai e Irlanda também sem ser vazada.
A sequência terminou somente na semifinal contra a Argentina, quando Claudio Caniggia marcou de cabeça.
O jogo terminou empatado e os argentinos avançaram nos pênaltis.
A Itália terminaria aquela Copa na terceira colocação, mas Zenga sairia do torneio definitivamente consolidado entre os grandes goleiros de sua geração.
Pela Azzurra, disputou 58 partidas.
Gianluca Pagliuca e a geração de 1994
Depois de Zenga, a Itália encontrou outro grande nome para a posição: Gianluca Pagliuca.
Ele assumiu o gol italiano durante a Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos.
Foi um torneio dramático para a Azzurra.
A seleção passou com dificuldades pela primeira fase, eliminou Nigéria nas oitavas, Espanha nas quartas e Bulgária na semifinal.
Na decisão estava o Brasil.
Depois de 120 minutos sem gols, pela primeira vez uma Copa do Mundo seria decidida nos pênaltis.
Pagliuca ainda protagonizou uma das imagens mais lembradas daquela final quando, depois de uma bola brasileira acertar sua trave, virou-se e beijou o poste.
A Itália acabaria derrotada na disputa.
Quatro anos depois, Pagliuca voltaria a ser titular na Copa de 1998.
Pagliuca e a Itália de 1998
A seleção italiana chegou à França com uma equipe extremamente talentosa.
Maldini, Cannavaro, Nesta, Albertini, Del Piero, Roberto Baggio e Christian Vieri estavam entre os principais jogadores.
E Pagliuca continuava no gol.
A campanha terminou nas quartas de final contra a anfitriã França, novamente em uma disputa por pênaltis.
Foi uma geração que ficou marcada também por um dos uniformes mais reconhecíveis da década. A camisa da Itália de 1998 pertence justamente ao período em que Pagliuca comandava a meta de uma seleção recheada de estrelas.
Curiosamente, a transição para o goleiro seguinte já havia começado.
Buffon havia estreado pela seleção em 1997 e estava no elenco daquele Mundial como reserva.
Francesco Toldo e a atuação inesquecível contra a Holanda
Se existe uma partida capaz de transformar um goleiro em personagem histórico da seleção italiana, ela aconteceu em 29 de junho de 2000.
Itália e Holanda disputavam a semifinal da Eurocopa.
Buffon, que seria o titular do torneio, havia sofrido uma lesão antes da competição.
A vaga ficou com Francesco Toldo.
Na semifinal, a Itália ficou com dez jogadores ainda no primeiro tempo depois da expulsão de Gianluca Zambrotta.
A Holanda pressionou praticamente durante todo o restante da partida.
E Toldo começou seu espetáculo.
O goleiro defendeu um pênalti de Frank de Boer durante o tempo regulamentar. Patrick Kluivert ainda acertou a trave em outra cobrança.
O jogo terminou 0 a 0.
Nos pênaltis, Toldo voltou a aparecer decisivamente e a Itália avançou para a final.
Aquela atuação entrou para a história da Euro e garantiu ao goleiro uma posição especial na memória da Azzurra, mesmo sem possuir a longevidade internacional de Zoff ou Buffon.
Angelo Peruzzi
A década de 1990 italiana foi tão forte na posição que havia competição de altíssimo nível até entre os reservas.
Angelo Peruzzi é um ótimo exemplo.
Durante sua carreira, foi um dos principais goleiros da Serie A, especialmente defendendo a Juventus.
Pela seleção, disputou a Eurocopa de 1996 como titular.
Uma lesão pouco antes da Copa do Mundo de 1998 acabou tirando Peruzzi do torneio, abrindo novamente espaço para Pagliuca.
Mais tarde, Peruzzi ainda faria parte do elenco campeão mundial em 2006 como um dos reservas de Buffon.
É um caso interessante: um goleiro que teria condições de ser protagonista em muitas seleções precisou disputar espaço justamente durante uma das épocas mais concorridas da história italiana na posição.
Gianluigi Donnarumma e a nova geração
Depois de Buffon, havia uma pergunta inevitável:
Quem conseguiria assumir uma posição ocupada durante duas décadas por um dos maiores goleiros da história?
A resposta apareceu rapidamente.
Gianluigi Donnarumma estreou muito jovem pela seleção e gradualmente tornou-se o titular.
Em 2021, viveu seu primeiro grande momento internacional.
A Itália chegou à decisão da Euro 2020 — disputada naquele ano por causa do adiamento provocado pela pandemia — contra a Inglaterra em Wembley.
Depois do empate por 1 a 1, novamente uma grande decisão envolvendo a Itália chegou aos pênaltis.
Donnarumma foi decisivo.
A Itália conquistou o título europeu e o goleiro foi escolhido pela UEFA como o melhor jogador do torneio.
Era uma maneira bastante simbólica de iniciar a era pós-Buffon.
A tradição italiana de formar goleiros
A quantidade de grandes nomes não parece ser uma coincidência.
Historicamente, o futebol italiano concedeu enorme importância à organização defensiva e ao treinamento específico da posição.
Isso criou gerações sucessivas de goleiros de alto nível.
Combi representou os anos 1930.
Lorenzo Buffon e outros nomes ajudaram a construir as décadas seguintes.
Zoff tornou-se referência entre os anos 1960 e 1980.
Zenga dominou o final dos anos 1980.
Pagliuca, Peruzzi e Toldo fizeram dos anos 1990 um período de enorme concorrência.
Buffon praticamente atravessou sozinho duas décadas.
Donnarumma recebeu a responsabilidade de continuar essa linhagem.
Quem gosta de acompanhar essas diferentes gerações pode encontrar outras histórias, seleções, jogadores e momentos marcantes em nossa seção dedicada à Itália e às grandes épocas construídas pela Azzurra.
Quem foi o maior goleiro da história da Itália?
A comparação depende do critério.
Gianpiero Combi foi capitão do primeiro título mundial italiano.
Dino Zoff venceu a Euro de 1968 e levantou a Copa de 1982 aos 40 anos. Foram 112 partidas pela Azzurra.
Walter Zenga construiu uma das maiores sequências sem sofrer gols da história das Copas.
Gianluca Pagliuca disputou duas Copas como titular e chegou à decisão de 1994.
Francesco Toldo produziu uma das atuações individuais mais memoráveis de um goleiro italiano na Euro 2000.
Gianluigi Buffon acumulou 176 partidas, cinco Copas no currículo e o título mundial de 2006. Ele permanece como o jogador que mais vezes defendeu a seleção italiana.
E Donnarumma iniciou sua própria história sendo protagonista de um título europeu.
Mais interessante do que escolher apenas um é perceber o tamanho da sequência.
Da Copa de 1934 à era moderna
A Itália conquistou quatro Copas do Mundo, e três goleiros diferentes estiveram como titulares nas campanhas campeãs: Combi em 1934, Zoff em 1982 e Buffon em 2006. No bicampeonato de 1938, o titular foi Aldo Olivieri.
Isso significa que estudar os grandes goleiros italianos é praticamente percorrer a própria história da Azzurra.
As luvas mudaram.
As bolas mudaram.
As regras mudaram.
A preparação física mudou.
O goleiro moderno passou a participar muito mais da construção das jogadas.
Mas uma característica atravessou todas essas gerações: a Itália quase sempre conseguiu encontrar alguém à altura da responsabilidade de defender sua meta.
De Combi a Donnarumma, passando por Zoff, Zenga, Pagliuca, Toldo e Buffon, a camisa 1 tornou-se uma das maiores tradições do futebol italiano.