Maiores goleiros da história do Vitória: os paredões que marcaram o Leão
A história do Vitória não foi construída apenas pelos atacantes, meias e grandes artilheiros que passaram pela Toca do Leão. Em diferentes gerações, o clube baiano também contou com goleiros que se…

A história do Vitória não foi construída apenas pelos atacantes, meias e grandes artilheiros que passaram pela Toca do Leão. Em diferentes gerações, o clube baiano também contou com goleiros que se transformaram em protagonistas, conquistaram títulos, estabeleceram marcas expressivas e criaram uma forte identificação com a torcida rubro-negra.
Alguns permaneceram durante muitos anos no clube. Outros tiveram passagens mais curtas, mas alcançaram um nível tão alto que rapidamente entraram para a memória do torcedor.
Borges, Dida, Viáfara, Aguinaldo, Gelson e Lucas Arcanjo representam épocas bastante diferentes. Juntos, ajudam a contar boa parte da evolução do Vitória dentro do futebol brasileiro.
Borges: o recordista histórico do gol do Vitória
Quando o critério é longevidade, um nome aparece imediatamente: Borges.
O goleiro defendeu o Vitória entre 1982 e 1995 e acumulou 293 partidas, permanecendo como o arqueiro com mais jogos pelo clube nos levantamentos históricos disponíveis.
É uma marca impressionante.
Permanecer mais de uma década ligado a um mesmo clube significa atravessar mudanças de elenco, treinadores, diretorias e diferentes momentos esportivos.
Borges viveu justamente essa realidade.
Sua trajetória passou por boa parte dos anos 1980 e chegou até a metade da década seguinte, fazendo dele uma das figuras mais duradouras da história rubro-negra.
E existe algo especialmente interessante nesse período: foi justamente durante os últimos anos da passagem de Borges que outro goleiro formado pelo Vitória começaria a ganhar projeção nacional.
Seu nome era Dida.
Dida: da Toca do Leão para o futebol mundial
Poucos jogadores revelados pelo Vitória alcançaram posteriormente uma carreira internacional comparável à de Dida.
Antes de defender Cruzeiro, Corinthians e Milan, conquistar a Champions League e se transformar em goleiro da Seleção Brasileira em uma geração repleta de grandes nomes, Nelson de Jesus Silva começou a construir sua trajetória profissional vestindo vermelho e preto.
E foi no Vitória que aconteceu sua primeira grande explosão.
O Brasileiro de 1993
O Campeonato Brasileiro de 1993 ocupa um espaço especial na história do clube.
O Vitória montou uma equipe jovem e surpreendeu o país ao chegar à decisão contra o Palmeiras.
Dida foi um dos destaques daquela campanha.
O goleiro havia sido formado nas categorias de base rubro-negras e terminou o campeonato reconhecido como um dos principais jogadores de sua posição. O ge relembra que ele foi eleito o melhor goleiro do Brasileiro de 1993, justamente na campanha em que o Vitória terminou como vice-campeão.
Depois daquela temporada, sua carreira ganharia outra dimensão.
Mas para o torcedor do Vitória existe um orgulho particular: antes de se tornar conhecido internacionalmente, Dida foi goleiro do Leão.
Julián Viáfara: El Paredón
Existem jogadores que conquistam a torcida apenas pelas atuações.
E existem aqueles que se transformam em personagens completos.
Julián Viáfara pertence claramente ao segundo grupo.
O colombiano chegou ao Vitória em 2008 e rapidamente construiu uma identificação enorme com o clube.
Foram 170 partidas entre 2008 e 2011, marca que durante anos o manteve entre os cinco goleiros com maior número de jogos pelo Leão.
Mas os números não explicam completamente sua popularidade.
Viáfara defendia pênaltis, cobrava faltas e penalidades, driblava adversários e frequentemente transformava partidas comuns em espetáculos particulares.
O ge relembrou, por exemplo, uma partida contra o Náutico em 2008 na qual o goleiro saiu da área com a bola e avançou até o meio-campo, driblando adversários pelo caminho.
Era um goleiro imprevisível.
E a torcida adorava isso.
Viáfara também fazia gols
O colombiano tinha qualidade suficiente com os pés para assumir cobranças de bola parada.
Um dos episódios mais lembrados ocorreu na decisão do Campeonato Baiano de 2009 contra o Bahia.
Com o título estadual em jogo no Barradão, Viáfara assumiu uma cobrança de pênalti nos acréscimos. O lance acabou entrando para a coleção de histórias envolvendo um dos goleiros mais carismáticos que passaram pelo clube.
Seu apelido, El Paredón, combinava perfeitamente com a personalidade que demonstrava em campo.
Viáfara não foi apenas goleiro do Vitória.
Virou personagem da rivalidade, da arquibancada e de uma geração inteira de torcedores.
Lucas Arcanjo: da base para a história do clube
Se Dida representa uma grande revelação da década de 1990, Lucas Arcanjo tornou-se o principal exemplo recente da tradição rubro-negra de formar goleiros.
Cria da Toca do Leão, Lucas estreou profissionalmente em 2019.
Sua trajetória ganhou ainda mais significado porque acompanhou uma das fases mais turbulentas e, posteriormente, uma das maiores reconstruções esportivas da história recente do clube.
Ele defendeu o Vitória nas Séries A, B e C.
E permaneceu.
Essa continuidade fez com que acumulasse rapidamente um número impressionante de partidas.
Em maio de 2025, Lucas chegou ao 200º jogo pelo Vitória, já ocupando isoladamente a segunda colocação entre os goleiros que mais defenderam o clube, atrás somente de Borges.
Lucas Arcanjo e a reconstrução do Vitória
Quantidade de partidas, porém, não é o único argumento de Lucas.
Ele foi personagem importante da conquista da Série B do Campeonato Brasileiro de 2023, campanha que recolocou o Vitória na primeira divisão.
No ano seguinte veio outro momento especial: o Campeonato Baiano de 2024.
Esses dois títulos aparecem entre os principais marcos de sua trajetória rubro-negra.
Há ainda uma conexão interessante entre gerações.
Quando completou 100 partidas pelo clube em 2023, Lucas revelou que Dida era uma de suas grandes inspirações como goleiro.
Décadas depois, portanto, um goleiro revelado pelo Vitória continuava servindo de referência para outro jogador formado dentro da própria Toca do Leão.
Aguinaldo
Antes de Lucas Arcanjo subir posições na lista histórica, Aguinaldo ocupava um lugar de enorme destaque.
O goleiro defendeu o Vitória entre 1971 e 1973 e disputou 186 partidas pelo clube.
A quantidade chama atenção especialmente pela curta janela de tempo.
São quase duas centenas de partidas concentradas em aproximadamente três anos, algo que ajuda a dimensionar a frequência com que o futebol brasileiro era disputado naquele período e a importância de Aguinaldo para a equipe.
Durante décadas, sua marca permaneceu entre as maiores já registradas por um goleiro rubro-negro.
Somente em março de 2025 Lucas Arcanjo chegou aos mesmos 186 jogos e passou a disputar isoladamente a segunda colocação histórica.
Aguinaldo pertence a uma geração muito distante para parte da torcida atual, mas seus números garantem que seu nome continue presente na história da posição.
Gelson
Outro goleiro que merece ser recuperado pelas novas gerações é Gelson.
Entre 1977 e 1981, ele disputou 180 partidas pelo Vitória.
Durante muitos anos, isso o colocou entre os três arqueiros que mais vezes vestiram a camisa rubro-negra.
Gelson aparece justamente na transição entre a geração de Aguinaldo e a longa era de Borges.
Quando observamos esses três nomes em sequência, fica evidente que o Vitória teve períodos bastante extensos de estabilidade no gol.
Aguinaldo marcou o início dos anos 1970.
Gelson atravessou o final daquela década.
E Borges assumiria protagonismo durante os anos 1980 e boa parte dos anos 1990.
Dida ou Viáfara?
É uma comparação inevitável para quem acompanhou diferentes gerações do Vitória.
De um lado está Dida, formado pelo clube e protagonista da surpreendente campanha nacional de 1993.
Do outro, Viáfara, com 170 partidas e uma das maiores identificações entre um jogador estrangeiro e a torcida rubro-negra.
A própria comparação já foi apresentada aos torcedores em uma série de enquetes do ge envolvendo ídolos históricos do Vitória.
Mas os dois representam coisas diferentes.
Dida simboliza a capacidade da base do Vitória de produzir um goleiro capaz de chegar posteriormente à elite mundial.
Viáfara representa identificação, personalidade e uma passagem muito mais longa pelo time principal.
Não é necessário escolher apenas um para reconhecer a importância dos dois.
Os números dos goleiros que mais jogaram pelo Vitória
A longevidade ajuda a revelar quais goleiros atravessaram diferentes temporadas como protagonistas.
Em levantamento publicado pelo ge em 2025, a lista histórica tinha Borges com 293 partidas, seguido por Lucas Arcanjo, enquanto Aguinaldo aparecia com 186, Gelson com 180 e Viáfara com 170 jogos.
Dida não aparece entre os primeiros dessa relação porque sua trajetória no time principal foi mais curta.
É justamente aí que os números precisam ser interpretados.
Quantidade de partidas mede longevidade.
Não necessariamente mede impacto.
Por isso uma análise histórica precisa considerar também títulos, desempenho, importância em campanhas específicas e identificação com o clube.
Diferentes gerações, a mesma responsabilidade
A posição de goleiro mudou profundamente ao longo das décadas.
Aguinaldo e Gelson jogaram em uma época na qual praticamente toda a responsabilidade do arqueiro estava concentrada em proteger a meta.
Borges atravessou uma transformação tática importante do futebol brasileiro.
Dida surgiu em uma geração na qual o treinamento específico para goleiros evoluía rapidamente.
Viáfara antecipava, de certa maneira, a ideia moderna de um goleiro confortável com a bola nos pés.
Lucas Arcanjo já atua em um futebol no qual participar da construção das jogadas faz parte das responsabilidades básicas da posição.
Mesmo assim, existe algo que não mudou.
Vestir a camisa 1 do Vitória significa carregar uma tradição centenária.
A escola de goleiros da Toca do Leão
O caso de Dida talvez seja o exemplo mais famoso, mas a capacidade do Vitória de desenvolver jogadores dentro de casa sempre foi uma característica importante do clube.
Lucas Arcanjo reforça essa tradição.
Ele chegou à Toca do Leão ainda nas categorias de formação e percorreu o caminho até assumir definitivamente o gol profissional.
Há uma simbologia interessante nisso.
Em 1993, um jovem Dida ajudava uma equipe considerada surpresa a chegar à decisão do Campeonato Brasileiro.
Trinta anos depois, outro goleiro formado pelo clube participava diretamente da campanha que conquistaria a Série B e iniciaria uma nova fase esportiva.
São contextos completamente diferentes, conectados pela mesma camisa.
Quem foi o maior goleiro da história do Vitória?
Não existe um único critério capaz de resolver essa discussão.
Borges possui o recorde histórico de partidas entre os goleiros, com 293 jogos registrados.
Dida teve enorme impacto esportivo, destacou-se no vice-campeonato brasileiro de 1993 e depois construiu uma das carreiras mais vitoriosas entre os goleiros brasileiros de sua geração.
Viáfara tornou-se um dos estrangeiros mais identificados com a torcida e chegou a 170 partidas pelo clube.
Lucas Arcanjo ultrapassou 200 jogos ainda relativamente jovem e participou diretamente da reconstrução recente do Vitória.
Aguinaldo e Gelson permanecem entre os grandes recordistas da posição mesmo décadas depois de suas passagens.
Cada um possui um argumento diferente.
Uma história que continua sendo escrita
Dos goleiros das décadas de 1970 e 1980 às revelações da Toca do Leão, a posição acompanhou alguns dos capítulos mais importantes da história rubro-negra.
Aguinaldo e Gelson construíram marcas que sobreviveram durante décadas.
Borges transformou longevidade em recorde.
Dida saiu da base do Vitória para alcançar o futebol mundial.
Viáfara transformou personalidade em identificação.
Lucas Arcanjo tornou-se um dos símbolos da reconstrução recente.
E muitos outros nomes também fizeram parte dessa trajetória.
Para conhecer outras gerações, ídolos, campanhas e curiosidades, vale continuar pela nossa seção dedicada às histórias do Vitória que ajudam a preservar a memória rubro-negra.
Porque a história do Leão não foi construída apenas por quem marcou os gols.
Também foi construída por quem evitou que eles acontecessem.