Maiores laterais direitos da história do Athletico Paranaense
A história do Athletico Paranaense mudou profundamente nas últimas décadas. O clube que já possuía enorme tradição no futebol paranaense passou a conquistar títulos nacionais e continentais, modernizou sua estrutura e se…

A história do Athletico Paranaense mudou profundamente nas últimas décadas. O clube que já possuía enorme tradição no futebol paranaense passou a conquistar títulos nacionais e continentais, modernizou sua estrutura e se estabeleceu de maneira muito mais frequente entre os protagonistas do futebol brasileiro.
Nesse processo, a lateral direita teve personagens importantes. Alguns foram campeões, outros chegaram à Seleção Brasileira, enquanto nomes mais recentes participaram da fase internacionalmente mais vitoriosa do Furacão.
Alessandro, Jonathan e Khellven representam muito bem três momentos dessa evolução. Mas a história da posição vai além deles e ajuda a mostrar como o papel do lateral também mudou com o passar do tempo.
Alessandro: o lateral do histórico título brasileiro de 2001
Para entender a importância de Alessandro, é necessário voltar ao Campeonato Brasileiro de 2001.
O Athletico tinha uma equipe extremamente competitiva comandada por Geninho. Alex Mineiro, Kléberson, Kleber Pereira, Adriano Gabiru, Cocito, Flávio e Nem estavam entre os principais personagens daquela campanha.
Na lateral direita estava Alessandro.
Ele foi titular também nas duas partidas da decisão contra o São Caetano. O Furacão venceu por 4 a 2 na Arena da Baixada e novamente por 1 a 0 no Anacleto Campanella, conquistando seu primeiro Campeonato Brasileiro.
Não foi simplesmente um jogador que estava no elenco.
Alessandro tinha participação ofensiva importante no funcionamento daquele time.
Na primeira partida da final, por exemplo, uma análise tática da época registra que a assistência para o segundo gol atleticano saiu justamente de seus pés.
Da Arena para a Seleção Brasileira
O desempenho de Alessandro pelo Athletico também chamou atenção fora de Curitiba.
Em abril de 2001, o lateral foi convocado por Emerson Leão e chegou a ser titular da Seleção Brasileira contra o Peru pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo.
Na época, Leão destacou que o jogador havia confirmado nos treinamentos o bom rendimento apresentado pelo Athletico.
Poucos meses depois, ele seria campeão brasileiro.
Essa combinação faz de Alessandro um dos nomes fundamentais quando se revisita a história dos laterais direitos do Furacão: foi titular da maior conquista atleticana até aquele momento e conseguiu chegar à Seleção enquanto defendia o clube.
Jonathan: experiência na transformação internacional do Furacão
Se Alessandro está associado ao Brasileiro de 2001, Jonathan pertence a outro momento fundamental da história atleticana.
O lateral chegou ao clube no início de 2017.
Já tinha uma carreira consolidada, com experiências importantes no futebol brasileiro e também no exterior, e encontrou um Athletico prestes a iniciar uma sequência extraordinária de conquistas.
Em 2018 veio a Copa Sul-Americana.
Jonathan participou daquela campanha e, ao final da temporada, já acumulava 83 partidas pelo Furacão. Ao comentar a conquista, destacou o significado de entrar para a história do clube com aquele título.
Era apenas o começo.
Jonathan e a geração campeã de 2019
Na temporada seguinte, o Athletico daria outro salto.
O clube conquistou a Copa do Brasil de 2019, derrotando o Internacional nas duas partidas da decisão.
Jonathan fazia parte daquele elenco e ajudou a representar uma fase em que o Furacão passou a disputar títulos importantes com frequência.
Sua experiência também era valiosa porque o Athletico começava a preparar naturalmente seu sucessor.
Um jovem lateral ganhava cada vez mais espaço.
Era Khellven.
Khellven: da juventude ao protagonismo
Khellven representa talvez o melhor exemplo recente de desenvolvimento de um lateral direito dentro da estrutura atleticana.
Ele chegou ao CT do Caju em 2018, depois de passagem pelo Guarani de Palhoça, e estreou profissionalmente no ano seguinte.
Quando deixou o clube em 2023, havia disputado 180 partidas pelo Athletico.
Para um jogador que saiu com apenas 22 anos, é uma quantidade impressionante.
Mas o número de jogos é apenas parte da história.
Khellven conquistou pelo Furacão os Campeonatos Paranaenses de 2019, 2020 e 2023, a Copa do Brasil de 2019 e a Copa Sul-Americana de 2021.
Poucos laterais direitos atravessaram um período tão vencedor no clube.
A Sul-Americana de 2021
A segunda conquista continental do Athletico teve Khellven como integrante importante da equipe.
Na campanha da Sul-Americana de 2021, o Furacão venceu 11 de suas 13 partidas.
Depois de superar América de Cali, LDU e Peñarol no mata-mata, encontrou o Red Bull Bragantino na decisão disputada no Estádio Centenário, em Montevidéu.
Nikão marcou o gol do título.
Khellven fazia parte do elenco campeão ao lado de nomes como Santos, Thiago Heleno, Abner, Christian, Terans e o próprio Nikão.
Era uma geração que consolidava definitivamente o Athletico como um clube capaz de conquistar competições internacionais.
Quem gosta de revisitar os personagens dessa fase pode também conhecer os grandes goleiros que ajudaram a construir diferentes gerações do Athletico Paranaense, incluindo nomes diretamente ligados às conquistas recentes do clube.
Khellven e a capacidade do Athletico de desenvolver jogadores
Existe ainda outra razão para a passagem de Khellven ser relevante.
Ela representa o modelo esportivo que passou a caracterizar o Athletico.
O clube identificou um jogador ainda muito jovem, desenvolveu o atleta dentro de sua estrutura, deu espaço no time profissional e posteriormente realizou uma transferência internacional.
Em 2023, Khellven foi negociado com o CSKA Moscou. Segundo o ge, a transferência foi fechada por aproximadamente € 4,5 milhões, com o Athletico mantendo posteriormente uma parcela dos direitos econômicos.
Quando observamos sua trajetória inteira, há uma combinação rara: formação, 180 partidas, títulos estaduais, título nacional, conquista continental e valorização no mercado.
Alessandro e Khellven representam dois Athleticos diferentes
Comparar os dois também ajuda a entender a evolução do próprio clube.
Alessandro chegou a um Athletico que buscava estabelecer definitivamente seu espaço entre os grandes protagonistas nacionais.
Em 2001, participou da conquista que mudou esse patamar.
Khellven encontrou um clube já modernizado, com estrutura consolidada e presença frequente em competições continentais.
Alessandro foi campeão brasileiro.
Khellven conquistou Copa do Brasil e Sul-Americana.
Separados por quase duas décadas, ambos foram titulares em momentos que ajudaram a redefinir o tamanho esportivo do Furacão.
Jonathan foi a ponte entre gerações
E entre esses dois momentos aparece Jonathan.
Sua passagem possui uma característica interessante.
Ele chegou como jogador experiente justamente quando o Athletico iniciava sua transformação em um vencedor frequente de torneios de mata-mata.
Participou da primeira Sul-Americana, em 2018, e permaneceu durante o período em que Khellven começou a receber oportunidades.
No elenco campeão paranaense de 2020, por exemplo, Jonathan e Khellven aparecem juntos entre os laterais utilizados pelo Athletico.
É quase uma passagem de bastão entre gerações.
Rogério Souza e outros nomes da posição
A história da lateral direita atleticana naturalmente não se resume aos três nomes mais associados às grandes conquistas recentes.
Rogério Souza, por exemplo, também fez parte do elenco de 2001 e aparece registrado como lateral daquele grupo campeão brasileiro.
Em diferentes décadas, o clube contou ainda com jogadores que exerceram a função em contextos táticos bastante distintos.
Isso é importante porque comparar laterais de épocas diferentes é particularmente complicado.
Durante décadas, a principal obrigação do lateral era fechar o corredor defensivo e apoiar o ataque de maneira mais pontual.
Com a evolução tática, o jogador da posição passou a funcionar também como construtor, ala, elemento de profundidade e até meio-campista durante determinadas fases da partida.
Por isso, números de gols ou assistências isoladamente não conseguem medir a importância histórica de cada jogador.
A lateral direita e a transformação tática do Athletico
O próprio Athletico oferece bons exemplos dessa evolução.
Alessandro tinha forte capacidade ofensiva e gostava de atacar o marcador. Em sua chegada à Seleção em 2001, declarou que apoiar o ataque sempre havia sido uma característica de seu futebol.
Jonathan oferecia experiência, posicionamento e equilíbrio em uma equipe que alternava sistemas
Khellven surgiu em um futebol ainda mais dinâmico, no qual o lateral precisava oferecer profundidade, velocidade e participação constante na construção ofensiva.
Três jogadores da mesma posição, mas com exigências bastante diferentes.
Os uniformes também contam essa transformação
Revisitar a história de um clube através de seus jogadores inevitavelmente significa reencontrar também as camisas de cada época.
O Athletico passou por mudanças profundas de identidade visual, escudo, estádio e estrutura, mas determinados uniformes continuam imediatamente associados às gerações que os utilizaram.
É justamente esse tipo de memória que faz das camisas retrô uma maneira de revisitar diferentes épocas do futebol brasileiro, especialmente quando uma camisa passa a ser associada a um título, um jogador ou uma partida inesquecível.
No caso do Furacão, poucas transformações foram tão intensas quanto aquelas ocorridas entre o time campeão brasileiro de 2001 e as equipes campeãs continentais das décadas seguintes.
Quem marcou mais a lateral direita do Athletico?
Não existe um único critério capaz de resolver essa comparação.
Alessandro possui o peso enorme de ter sido o titular da campanha do primeiro Campeonato Brasileiro e ainda ter chegado à Seleção Brasileira enquanto defendia o clube.
Jonathan participou do início da era de conquistas internacionais e estava no grupo campeão da Sul-Americana de 2018.
Khellven chegou a 180 partidas e reuniu em seu currículo pelo Furacão três estaduais, Copa do Brasil e Sul-Americana.
Cada um representa um tipo diferente de legado.
E isso é justamente o que torna interessante revisitar a posição.
Uma posição presente nos momentos que mudaram o clube
Olhando para os grandes capítulos da história recente do Athletico, a lateral direita aparece repetidamente.
No Brasileiro de 2001, Alessandro estava lá.
Na primeira Sul-Americana, em 2018, Jonathan estava lá.
Na Copa do Brasil de 2019, Jonathan e o jovem Khellven fizeram parte daquela geração.
Na segunda Sul-Americana, em 2021, Khellven estava lá.
Não significa que todos tiveram o mesmo estilo ou o mesmo peso em suas respectivas equipes. Significa que diferentes gerações de laterais participaram diretamente dos períodos em que o Athletico mudou de patamar.
De Alessandro a Jonathan e Khellven, a posição acompanhou a transformação de um tradicional clube paranaense em um campeão brasileiro, nacional e continental.
E é justamente por isso que os grandes laterais direitos também merecem um capítulo próprio na história do Furacão.