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Futebol Brasileiro

Maiores jogadores da história do Bragantino: os craques que marcaram o Massa Bruta

A história do Bragantino ganhou dimensão nacional principalmente na virada dos anos 1980 para os anos 1990. Foi nesse período que o clube de Bragança Paulista deixou de ser apenas uma tradicional…

Blog do Capita

8 min de leitura

A história do Bragantino ganhou dimensão nacional principalmente na virada dos anos 1980 para os anos 1990. Foi nesse período que o clube de Bragança Paulista deixou de ser apenas uma tradicional equipe do interior de São Paulo para se tornar protagonista do futebol brasileiro.

A sequência impressiona: acesso no futebol paulista em 1988, título da Série B do Campeonato Brasileiro em 1989, conquista inédita do Campeonato Paulista em 1990 e vice-campeonato brasileiro em 1991. Parte considerável do grupo atravessou mais de uma dessas campanhas, criando uma das gerações mais importantes já produzidas por um clube do interior paulista.

Ao longo dos anos, diferentes jogadores construíram sua própria relação com o Massa Bruta. Alguns ficaram marcados pelos títulos, outros pela identificação com o clube e há aqueles que utilizaram Bragança Paulista como ponto de partida para carreiras de enorme projeção.

É justamente essa mistura que torna tão interessante revisitar os maiores jogadores da história do Bragantino.

Mauro Silva

É praticamente impossível falar daquele Bragantino sem começar por Mauro Silva.

O volante tinha apenas 22 anos quando foi titular na campanha do Campeonato Paulista de 1990. Sua capacidade de marcação, leitura de jogo e equilíbrio no meio-campo fizeram dele uma das peças fundamentais daquele time.

E sua passagem pelo clube acabou sendo apenas o começo de uma trajetória extraordinária.

Depois do Bragantino, Mauro Silva foi negociado diretamente com o Deportivo La Coruña, da Espanha. Anos depois, seria campeão da Copa do Mundo de 1994 com a Seleção Brasileira, consolidando-se como um dos grandes volantes brasileiros de sua geração. A própria Federação Paulista destaca que o Bragantino negociou Mauro diretamente com o Deportivo após aquela fase histórica.

Por isso, Mauro Silva ocupa uma posição especial na memória do Massa Bruta: ele representa perfeitamente uma época em que o clube descobria e desenvolvia jogadores capazes de alcançar o mais alto nível do futebol.

Gil Baiano

Se Mauro Silva comandava boa parte do meio-campo, Gil Baiano era uma das grandes forças pelo lado direito.

Titular absoluto no Paulista de 1990, o lateral marcou três gols durante a competição e participou diretamente de uma das formações mais lembradas da história do clube.

Sua importância, porém, não ficou restrita ao título estadual.

Gil Baiano também estava no time que chegou à decisão do Campeonato Brasileiro de 1991 contra o São Paulo. Na final, formou a defesa ao lado de Júnior, Nei e Biro-Biro.

Posteriormente, ainda defenderia clubes como Internacional, Palmeiras e Sporting de Portugal.

Para muitos torcedores que acompanharam aquela geração, Gil Baiano continua sendo um dos grandes símbolos do Bragantino clássico.

Mazinho

Mazinho foi o homem dos gols no histórico Campeonato Paulista de 1990.

O atacante terminou aquela campanha como artilheiro do Bragantino, anotando dez gols.

Sua velocidade e capacidade ofensiva deram ao time uma arma importante em uma competição na qual o Massa Bruta precisou enfrentar e superar adversários de maior orçamento e tradição.

O desempenho chamou atenção fora do país. Depois daquela geração, Mazinho foi negociado diretamente pelo Bragantino com o Bayern de Munique.

Poucos jogadores representam tão bem a capacidade daquele Bragantino de encontrar atletas ainda longe do auge, desenvolvê-los e colocá-los no radar do futebol internacional.

Marcelo Martelotte

Toda grande equipe precisa de segurança no gol, e Marcelo Martelotte teve papel fundamental naquela geração.

Com apenas 21 anos, foi o goleiro titular absoluto do Bragantino campeão paulista em 1990.

No ano seguinte, continuou como dono da posição na histórica campanha do Campeonato Brasileiro.

Marcelo esteve no gol nas duas partidas da decisão contra o São Paulo. O Bragantino perdeu por 1 a 0 no Morumbi e empatou por 0 a 0 em Bragança Paulista, terminando como vice-campeão brasileiro.

Foi, portanto, um personagem presente exatamente no período em que o clube atingiu alguns de seus maiores feitos.

Júnior Paulista

Júnior merece destaque não apenas pela consistência defensiva.

O zagueiro também aparecia no ataque.

No Campeonato Paulista de 1990, marcou seis gols, número bastante expressivo para um defensor, enquanto permanecia como titular absoluto da equipe.

Ele também participou da decisão do Brasileiro de 1991.

Júnior fazia parte de um sistema defensivo extremamente identificado com aquela geração e permaneceu ligado à cidade mesmo depois da carreira como jogador.

É um daqueles nomes que talvez não tenha alcançado posteriormente a projeção internacional de Mauro Silva, mas cuja importância dentro da história específica do Bragantino é enorme.

Nei

Ao lado de Júnior estava Nei.

Experiente, o zagueiro tinha 29 anos quando conquistou o Paulista de 1990 e marcou três gols naquela campanha.

Sua presença ajudava a equilibrar uma equipe que possuía vários jogadores jovens e em processo de afirmação.

Nei também foi titular na final do Brasileiro de 1991 e aparece como capitão do Bragantino nas fichas das partidas decisivas contra o São Paulo.

Isso ajuda a dimensionar sua importância: além da qualidade defensiva, exercia liderança dentro de uma das equipes mais fortes que o clube já montou.

Biro-Biro

Biro-Biro completava pela esquerda uma defesa que ficou gravada na memória dos torcedores.

Titular absoluto no título paulista, ele formava com Gil Baiano, Júnior e Nei uma linha defensiva que voltaria a aparecer praticamente intacta na decisão nacional do ano seguinte.

Sua trajetória também passou por clubes tradicionais como Santos, Corinthians e Palmeiras, mas seu nome ficou fortemente associado ao grande Bragantino daquela época.

Quando se observa uma fotografia histórica daquele time, Biro-Biro quase sempre está lá.

Ivair

Ivair era outro jogador indispensável para o funcionamento da equipe.

Volante experiente, marcou quatro gols durante o Paulista de 1990 e foi titular durante a campanha do título.

Seu papel ganhava ainda mais importância porque jogava próximo de Mauro Silva, ajudando a formar um meio-campo competitivo e equilibrado.

Ivair também continuou fazendo parte do grupo que alcançou a decisão nacional em 1991.

Talvez não tenha recebido posteriormente a mesma projeção de alguns companheiros, mas dentro daquele Bragantino sua contribuição foi decisiva.

Luís Müller

Luís Müller é outro nome que merece espaço quando se fala dos grandes personagens do clube.

No Paulista de 1990, marcou nove gols, ficando entre os principais goleadores do Bragantino na competição. Começou o campeonato com grande participação, embora tenha perdido espaço ao longo da campanha.

Ele também fazia parte de uma geração que já vinha acumulando conquistas antes do título estadual.

Essa continuidade é importante para entender o Bragantino daquele período. Não surgiu simplesmente um grande time em 1990: o elenco vinha sendo construído desde 1988, dentro de uma estratégia de buscar jogadores jovens ou pouco aproveitados por clubes maiores.

Sílvio

Sílvio chegou durante a campanha de 1990 e conquistou espaço no ataque.

A ascensão foi rápida. O jogador integrou a equipe campeã paulista e depois esteve entre os titulares do Bragantino nas finais do Campeonato Brasileiro de 1991.

Posteriormente, também chegou à Seleção Brasileira.

Ele é outro exemplo de como o clube conseguia transformar jogadores promissores em atletas de projeção nacional durante aquele período.

A geração que transformou a história do Bragantino

Existem clubes cuja história pode ser representada por um único grande jogador. No caso do Bragantino, a principal era do clube foi construída muito mais por uma geração.

Marcelo; Gil Baiano, Júnior, Nei e Biro-Biro; Mauro Silva, Ivair e outros nomes do meio; Mazinho, Sílvio e seus companheiros de ataque formaram a espinha dorsal de uma equipe que conseguiu resultados extraordinários para um clube do interior.

Em 1990, sob Vanderlei Luxemburgo, veio o Campeonato Paulista. A decisão contra o Novorizontino ficou conhecida como “Final Caipira”, e o empate por 1 a 1 na segunda partida confirmou o título do Massa Bruta.

Aquela temporada permanece tão ligada à identidade do clube que a camisa do Bragantino de 1990 na versão Away funciona hoje como uma verdadeira lembrança vestível de uma das épocas mais importantes do futebol de Bragança Paulista.

O Bragantino chegou muito perto do título brasileiro

O feito de 1990 não foi isolado.

No Campeonato Brasileiro de 1991, já comandado por Carlos Alberto Parreira, o Bragantino avançou até a grande decisão contra o São Paulo de Telê Santana.

No primeiro jogo, no Morumbi, o São Paulo venceu por 1 a 0. Na volta, em Bragança Paulista, houve empate por 0 a 0. O resultado deu o título ao clube paulistano e deixou o Bragantino com um histórico vice-campeonato brasileiro.

Basta observar os dois times daquela decisão para entender o tamanho da campanha.

De um lado estavam nomes como Zetti, Cafu, Ricardo Rocha, Leonardo, Raí e Müller. Do outro, o Bragantino entrava com Marcelo, Gil Baiano, Júnior, Nei, Biro-Biro, Mauro Silva, Ivair, Mazinho e Sílvio, entre outros.

O Massa Bruta havia chegado definitivamente ao primeiro escalão do futebol nacional.

Mauro Silva é o maior jogador que passou pelo Bragantino?

É uma discussão interessante porque depende do critério utilizado.

Se considerarmos a carreira completa, Mauro Silva possui um currículo difícil de igualar entre os jogadores que defenderam o clube naquela geração. Depois de sair de Bragança, tornou-se referência do Deportivo La Coruña e campeão mundial com o Brasil.

Mas a história de um clube não é construída apenas pelo que um jogador realizou depois de sair.

Gil Baiano, Mazinho, Marcelo, Júnior, Nei, Biro-Biro, Ivair, Luís Müller e Sílvio possuem diferentes argumentos históricos justamente pela participação direta no período mais emblemático do antigo Clube Atlético Bragantino.

Por isso, é mais adequado enxergar aquela geração coletivamente.

O Bragantino antes e depois de 1990

O futebol de Bragança Paulista mudou para sempre depois daquele título.

A conquista mostrou que uma equipe do interior poderia montar um elenco competitivo apostando em jogadores com potencial que não encontravam espaço nos grandes centros. O próprio planejamento do clube havia começado anos antes, buscando atletas jovens e oportunidades de mercado.

Décadas depois, o futebol de Bragança entrou em uma nova fase com o projeto Red Bull Bragantino.

Mas conhecer o clube atual fica muito mais interessante quando se entende tudo o que aconteceu anteriormente.

Para quem deseja mergulhar em outras campanhas, personagens e curiosidades, vale continuar pela nossa seção dedicada à história do Bragantino além das grandes conquistas que ficaram eternizadas nos anos 1990.

Porque muito antes da transformação moderna do clube, o Massa Bruta já havia mostrado ao Brasil que Bragança Paulista podia produzir um dos melhores times do país.

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