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Futebol Internacional

Maiores goleiros da história do River Plate

Poucos clubes sul-americanos possuem uma tradição de goleiros comparável à do River Plate. Ao longo de mais de um século, o clube argentino teve debaixo das traves nomes que não apenas conquistaram…

Blog do Capita

9 min de leitura

Poucos clubes sul-americanos possuem uma tradição de goleiros comparável à do River Plate. Ao longo de mais de um século, o clube argentino teve debaixo das traves nomes que não apenas conquistaram títulos, mas também marcaram a própria evolução da posição.

Amadeo Carrizo revolucionou a maneira de jogar como goleiro. Ubaldo Fillol tornou-se um dos maiores da história do futebol argentino. Nery Pumpido comandou o gol na primeira Libertadores do River. Décadas depois, Marcelo Barovero e Franco Armani foram protagonistas de novas conquistas continentais.

Mas afinal, quem foram os maiores goleiros da história do River Plate?

1. Amadeo Carrizo

Se o critério envolve importância para o River e influência sobre a própria posição, Amadeo Carrizo merece o primeiro lugar.

Carrizo estreou oficialmente pelo River em 1945, em uma vitória por 2 a 1 sobre o Independiente. Só deixaria o clube no fim de 1968, encerrando uma trajetória de impressionantes 23 anos defendendo o gol millonario.

Segundo os registros oficiais do River, foram 551 partidas e sete títulos: os Campeonatos Argentinos de 1945, 1952, 1953, 1955, 1956 e 1957, além da Copa Aldao de 1945.

Mas os números contam apenas uma parte da história.

Amadeo Carrizo mudou a maneira de jogar no gol

Carrizo ficou conhecido por atuar de maneira muito mais avançada do que era habitual para os goleiros de sua época.

Saía da área, participava do jogo, iniciava contra-ataques e utilizava os pés com uma naturalidade incomum naquele período. Por isso, tornou-se referência para várias gerações posteriores.

Em 1968, estabeleceu ainda uma marca histórica ao permanecer 769 minutos sem sofrer gols, então recorde de invencibilidade do futebol argentino.

A dimensão de sua importância permanece evidente até hoje. Em 2025, o River batizou com o nome de Amadeo Carrizo um dos gols do Monumental, em uma homenagem realizada com familiares e outras figuras históricas do clube.

Não foi apenas um grande goleiro do River.

Foi um jogador que ajudou a transformar a própria posição.

2. Ubaldo Fillol

Se Amadeo foi o grande revolucionário, Ubaldo Matildo Fillol talvez tenha sido o goleiro mais espetacular tecnicamente que passou pelo River.

O Pato Fillol estreou no clube em 1973 e tornou-se dono da posição durante aproximadamente uma década.

E chegou em um momento especialmente importante.

O River vivia um incômodo jejum de títulos argentinos desde 1957. Em 1975, com Ángel Labruna como treinador e Fillol no gol, finalmente voltou a ser campeão.

Foi o início de uma era vencedora.

De acordo com a história oficial do River, Fillol conquistou sete títulos pelo clube durante sua passagem.

Também acumulou mais de 400 partidas defendendo o gol millonario, ficando atrás somente de Amadeo entre os goleiros históricos do clube em número de jogos durante muitas décadas.

Fillol e a Copa do Mundo de 1978

Existe ainda um componente que aumenta enormemente o tamanho de sua história.

Fillol era jogador do River quando se tornou o goleiro titular da Argentina campeã mundial em 1978.

O Monumental, sua casa no futebol de clubes, foi justamente o palco da final contra a Holanda.

Fillol terminou aquele Mundial consagrado como uma das grandes figuras argentinas e consolidou definitivamente sua posição entre os melhores goleiros da história do país.

Até mesmo Nery Pumpido, outro goleiro campeão mundial e histórico do River, declarou posteriormente considerar Fillol o melhor de todos.

3. Franco Armani

Franco Armani conseguiu algo extremamente difícil: entrar em uma discussão histórica dominada por dois gigantes como Carrizo e Fillol.

Sua chegada ao River, em 2018, mudou imediatamente o nível da posição.

Armani tornou-se protagonista justamente em uma das temporadas mais importantes de toda a história millonaria.

O grande símbolo é a Copa Libertadores de 2018.

Naquela campanha, o goleiro realizou defesas decisivas em diferentes fases e esteve no gol na histórica final contra o Boca Juniors, decidida no Santiago Bernabéu, em Madri.

O título colocou Armani definitivamente entre os grandes goleiros do clube.

Sua importância, porém, não ficou limitada a 2018.

Ele construiu uma passagem longa, ultrapassou a marca de 300 partidas pelo River em outubro de 2024 e permaneceu como uma das grandes referências do elenco nos anos seguintes. O próprio clube registrou essa marca ao mencionar Armani entre os jogadores que alcançaram 300 jogos.

Sua combinação de longevidade, títulos e protagonismo internacional faz com que dispute seriamente um lugar no pódio histórico.

4. Nery Pumpido

A história de Nery Pumpido no River está diretamente ligada a 1986, um dos anos mais importantes que o clube já viveu.

Pumpido era o goleiro titular da equipe comandada por Héctor Veira.

Naquela temporada, o River conquistou o Campeonato Argentino e finalmente alcançou um objetivo que perseguia havia anos: sua primeira Copa Libertadores.

Mas a história não terminou ali.

Em dezembro de 1986, o River enfrentou o Steaua Bucareste em Tóquio pela Copa Intercontinental.

Pumpido foi titular na vitória por 1 a 0 que transformou o River em campeão mundial. A formação registrada pelo próprio clube começa justamente com seu nome no gol.

Isso coloca Pumpido em uma posição muito especial.

Ele foi o goleiro do primeiro River campeão da Libertadores e do primeiro River campeão mundial.

Terminou sua passagem com 144 partidas, segundo o levantamento histórico dos goleiros com mais jogos pelo clube.

Confira: Maiores goleiros da história do Barcelona

5. Marcelo Barovero

Marcelo Barovero tornou-se um dos maiores ídolos do River no século XXI.

Chegou em 2012, justamente durante o processo de reconstrução do clube após o traumático rebaixamento e retorno à primeira divisão.

Pouco a pouco, Trapito conquistou a torcida.

Mas existe uma defesa que mudou definitivamente sua história.

O pênalti de Barovero contra o Boca

Em 2014, River e Boca disputavam uma das semifinais da Copa Sul-Americana.

Logo no início da partida decisiva no Monumental, o Boca teve um pênalti.

Barovero defendeu a cobrança de Emmanuel Gigliotti.

River posteriormente venceu por 1 a 0, eliminou o maior rival e avançou para a decisão. O próprio clube descreve aquele momento como um ponto de inflexão na história moderna do River.

Na final, o Millonario derrotou o Atlético Nacional e conquistou a Copa Sul-Americana de 2014, encerrando um jejum de 17 anos sem títulos internacionais.

Depois vieram outras conquistas, incluindo a Libertadores de 2015.

Ao se despedir, o próprio River colocou Barovero entre os melhores goleiros que defenderam seu gol e destacou aquela defesa contra Gigliotti como uma das imagens eternas de sua passagem.

Em números, terminou com aproximadamente 165 partidas e 71 jogos sem sofrer gols, segundo estatísticas publicadas pelo clube no fim de sua passagem.

6. Ángel Comizzo

Ángel David Comizzo talvez não tenha alcançado a projeção internacional de alguns dos primeiros colocados, mas sua relação com o River foi longa e dividida em diferentes períodos.

O goleiro teve três passagens pelo clube.

Somando seus ciclos, chegou a mais de 200 partidas e durante anos ocupou o terceiro lugar entre os goleiros com mais jogos pelo River, atrás apenas de Carrizo e Fillol.

Comizzo fez parte de diferentes equipes campeãs e ficou especialmente associado ao River do início dos anos 1990.

Sua longevidade e identificação justificam sua presença entre os maiores.

7. Roberto Bonano

Outro goleiro que marcou uma geração foi Roberto Bonano.

Titular durante boa parte da segunda metade dos anos 1990, Bonano defendeu o River justamente em uma época extremamente vencedora.

Era o período de jogadores como Enzo Francescoli, Marcelo Gallardo, Ariel Ortega, Hernán Crespo, Marcelo Salas e Juan Pablo Sorín.

Bonano disputou 176 partidas pelo clube segundo o levantamento histórico de goleiros com mais aparições.

Fez parte de uma geração que dominou o futebol argentino e manteve o River constantemente entre as principais forças do continente.

Depois de deixar a Argentina, ainda construiu carreira no futebol europeu, inclusive no Barcelona.

8. Germán Burgos

Personalidade nunca faltou a Germán Burgos.

O goleiro conhecido como El Mono tornou-se uma das figuras mais características do River dos anos 1990.

Burgos combinava grandes defesas com um estilo extremamente intenso e uma personalidade que rapidamente criou identificação com os torcedores.

Disputou 151 partidas pelo River entre 1994 e 1999, ficando entre os dez goleiros com mais jogos na história do clube.

Também fez parte do período de grandes conquistas da equipe na segunda metade daquela década.

Posteriormente, construiu carreira na Espanha e ficou bastante identificado também com o Atlético de Madrid.

Menções honrosas

A tradição do River é grande demais para limitar a história a oito nomes.

Juan Carlos “Perico” Pérez merece destaque por suas 173 partidas entre 1969 e 1974. Carlos Isola, um dos primeiros grandes goleiros do clube, disputou 154 jogos entre 1913 e 1925. Sergio Goycochea, embora tenha construído seu maior momento na Seleção Argentina, também teve duas passagens pelo River.

Todos fazem parte da história de uma posição particularmente importante no Monumental.

Amadeo Carrizo ou Fillol: quem foi o maior goleiro do River?

Essa é a grande discussão.

Se o critério for exclusivamente qualidade técnica no auge, Fillol possui argumentos fortíssimos para ocupar a primeira posição.

Foi um goleiro extraordinariamente completo, protagonista de inúmeros títulos e campeão mundial pela Argentina enquanto defendia o River.

Mas Amadeo representa algo ainda maior.

Carrizo permaneceu 23 anos no clube, disputou 551 partidas oficiais contabilizadas pelo River, conquistou sete títulos e estabeleceu uma relação praticamente inseparável com o gol do Monumental.

Além disso, sua maneira de jogar influenciou aquilo que posteriormente seria chamado de goleiro moderno.

Por esse conjunto, Amadeo Carrizo fica ligeiramente à frente de Fillol.

E onde entra Franco Armani?

A ascensão de Armani tornou essa discussão ainda mais interessante.

Durante muito tempo, falar nos maiores goleiros do River significava começar por Amadeo e Fillol e depois discutir nomes como Pumpido, Comizzo e outros representantes de diferentes gerações.

Armani mudou isso.

Sua participação na Libertadores de 2018 possui um peso enorme porque aquela competição terminou com a vitória sobre o Boca Juniors na final, provavelmente o título mais simbólico da história moderna do River.

Além disso, Armani permaneceu durante anos como titular e ultrapassou 300 partidas pelo clube.

Por isso, já existem argumentos consistentes para colocá-lo entre os três maiores da história.

Uma tradição impressionante debaixo das traves

Poucos clubes conseguem montar uma sequência como:

Amadeo Carrizo → Ubaldo Fillol → Nery Pumpido → Comizzo → Burgos → Bonano → Barovero → Armani.

São estilos completamente diferentes.

Amadeo foi revolucionário.

Fillol era espetacular e extremamente completo.

Pumpido foi o goleiro das primeiras conquistas da Libertadores e do Mundial.

Barovero tornou-se símbolo da reconstrução internacional.

Armani esteve no centro de outra era histórica.

Essa sucessão ajuda a explicar por que o próprio Nery Pumpido definiu o gol do River como um lugar de enorme peso histórico, especialmente pelo legado deixado por Carrizo e Fillol.

Ranking dos maiores goleiros da história do River Plate

Considerando qualidade técnica, títulos, longevidade, protagonismo, importância histórica e identificação com o River Plate, meu ranking fica:

  1. Amadeo Carrizo
  2. Ubaldo Fillol
  3. Franco Armani
  4. Nery Pumpido
  5. Marcelo Barovero
  6. Ángel Comizzo
  7. Roberto Bonano
  8. Germán Burgos

Carrizo e Fillol permanecem em uma categoria especial. O primeiro ajudou a revolucionar a posição e atravessou mais de duas décadas defendendo o clube. O segundo foi um dos melhores goleiros de sua geração e protagonista da retomada dos títulos nos anos 1970.

Pumpido está eternizado em 1986. Barovero está ligado ao início da era Gallardo. Armani tornou-se um dos símbolos da Libertadores de 2018.

É uma coleção de goleiros que ajuda a explicar a própria grandeza do River.

E se apenas um deles precisa ocupar o primeiro lugar entre os maiores goleiros da história do River Plate, Amadeo Carrizo continua sendo a escolha mais completa.

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