Maiores goleiros da história do Nottingham Forest
O Nottingham Forest possui uma história muito particular no futebol inglês. Bicampeão europeu e protagonista de uma das maiores ascensões já vistas no continente, o clube contou com goleiros importantes em diferentes…

O Nottingham Forest possui uma história muito particular no futebol inglês. Bicampeão europeu e protagonista de uma das maiores ascensões já vistas no continente, o clube contou com goleiros importantes em diferentes gerações.
Nenhum deles, porém, está tão associado ao período de ouro do Forest quanto Peter Shilton. O lendário goleiro inglês estava debaixo das traves nas conquistas consecutivas da Copa dos Campeões da Europa de 1979 e 1980 e foi um dos pilares da equipe comandada por Brian Clough.
Além dele, nomes como Mark Crossley, Hans van Breukelen e Steve Sutton também construíram trajetórias marcantes no City Ground.
Mas afinal, quais foram os maiores goleiros da história do Nottingham Forest?
1. Peter Shilton
É muito difícil começar este ranking com outro nome.
Peter Shilton é o maior goleiro da história do Nottingham Forest principalmente pelo nível que apresentou e pelo papel desempenhado no período mais vitorioso da história do clube.
Shilton chegou ao Forest em 1977, justamente quando a equipe de Brian Clough iniciava uma trajetória extraordinária.
O impacto foi imediato. O Nottingham Forest conquistou o Campeonato Inglês de 1977/78 logo após retornar à primeira divisão e, na temporada seguinte, partiu para uma campanha histórica na Europa.
Shilton e o primeiro título europeu do Forest
Na Copa dos Campeões da Europa de 1978/79, o Nottingham Forest eliminou logo na primeira fase o Liverpool, que era o atual bicampeão europeu.
Shilton foi uma das grandes referências daquela equipe. A própria UEFA destaca o goleiro inglês ao relembrar a campanha do Forest até a decisão.
Na final, disputada em Munique, o Nottingham Forest venceu o Malmö por 1 a 0, com gol de Trevor Francis, e conquistou sua primeira Copa dos Campeões.
Shilton foi titular naquela decisão.
E ainda havia mais por vir.
A atuação histórica contra o Hamburgo em 1980
Um ano depois, o Nottingham Forest chegou novamente à final europeia.
Desta vez, o adversário era o Hamburgo de Kevin Keegan.
John Robertson marcou o gol da vitória por 1 a 0, mas Shilton teve participação decisiva. A UEFA descreve sua atuação naquela decisão como heroica, destacando a importância do goleiro para que o Forest terminasse a partida sem sofrer gols.
Assim, Shilton tornou-se bicampeão europeu pelo clube.
Ele também participou da conquista da Supercopa Europeia de 1979, vencida contra o Barcelona.
Na história do Forest na principal competição europeia, Shilton soma 20 partidas, figurando entre os jogadores com mais aparições do clube no torneio.
Por tudo isso, ocupa o primeiro lugar.
2. Mark Crossley
Se Shilton representa a geração mais gloriosa, Mark Crossley está entre os goleiros mais associados ao Nottingham Forest das décadas seguintes.
Formado no clube, recebeu sua primeira oportunidade profissional de Brian Clough durante a temporada 1988/89.
A história da estreia é curiosa.
Crossley contou posteriormente ao próprio Forest que soube apenas cerca de meia hora antes da partida contra o Liverpool que seria titular. Steve Sutton havia adoecido e Clough decidiu lançar o jovem goleiro.
Aquela oportunidade transformou sua carreira.
Crossley disputaria mais de 150 partidas pelo Forest somente sob o comando de Brian Clough, permanecendo ligado ao clube durante uma longa fase de sua carreira.
Além da longevidade, tornou-se conhecido como um excelente defensor de pênaltis.
Para muitos torcedores que cresceram acompanhando o Forest nos anos 1990, Crossley é um dos goleiros mais facilmente associados à camisa do clube.
3. Hans van Breukelen
A passagem de Hans van Breukelen pelo Nottingham Forest foi bem mais curta, mas estamos falando de um goleiro que posteriormente seria considerado um dos melhores de sua geração.
O holandês foi escolhido por Brian Clough em 1982 justamente para substituir Peter Shilton.
Van Breukelen permaneceu no City Ground durante duas temporadas, entre 1982 e 1984, antes de retornar à Holanda para defender o PSV Eindhoven.
Sua importância histórica cresce também quando observamos aquilo que realizou posteriormente.
No PSV, tornou-se campeão europeu em 1988. Poucas semanas depois, foi titular da Holanda campeã da Eurocopa de 1988, defendendo inclusive um pênalti na final contra a União Soviética. A UEFA o incluiu na seleção daquele torneio.
Sua passagem pelo Forest não teve a duração de Crossley ou Shilton, mas seu nível técnico coloca o holandês em posição de destaque.
4. Steve Sutton
Steve Sutton merece um lugar importante nesta lista principalmente por sua longevidade.
Formado no Nottingham Forest, atravessou diferentes fases do clube e passou muitos anos ligado ao elenco principal.
Sutton teve de conviver inicialmente com a concorrência de goleiros importantes, mas conseguiu construir sua própria trajetória no City Ground.
Foi justamente uma indisposição de Sutton que abriu espaço para a inesperada estreia de Mark Crossley contra o Liverpool em 1988, conforme o próprio Crossley recordou anos depois.
Mesmo com a disputa pela posição, Sutton tornou-se um daqueles jogadores associados a uma longa fase da história do Forest.
5. John Middleton
Para encontrar outro nome relevante é necessário voltar à década de 1970.
John Middleton defendia o Forest antes da chegada de Peter Shilton e participou justamente da fase inicial da transformação promovida por Brian Clough.
Isso dá ao goleiro uma importância especial.
Middleton pertence à geração que antecedeu imediatamente o time que dominaria o futebol inglês e conquistaria a Europa.
Sua passagem acaba naturalmente ofuscada pelo tamanho de Shilton, mas ele merece ser lembrado ao reconstruirmos a história dos goleiros do clube.
6. Chris Woods
Chris Woods é outro nome interessante nessa linha histórica.
O goleiro fez parte do Nottingham Forest no início da carreira, em uma época particularmente difícil para qualquer jovem que desejasse conquistar a posição: Peter Shilton era o titular.
Por isso, Woods teve poucas oportunidades de construir uma história tão grande no Forest.
Entretanto, sua carreira posterior mostra o tamanho do talento que o clube possuía como alternativa.
Woods se consolidaria no futebol britânico, teria longa trajetória internacional e se tornaria goleiro da seleção inglesa.
Seu legado específico no Forest é menor que o dos primeiros colocados, mas é um nome relevante quando analisamos a qualidade dos goleiros que passaram pelo clube.
7. Brice Samba
Entre os goleiros da história recente, Brice Samba merece um capítulo especial.
O francês chegou ao Nottingham Forest em 2019 e acabou se tornando um dos personagens da campanha que encerrou a longa ausência do clube da Premier League.
O momento mais marcante aconteceu nos playoffs da Championship de 2021/22.
Na semifinal contra o Sheffield United, a disputa foi para os pênaltis, e Samba assumiu o protagonismo com defesas que ajudaram o Forest a chegar à decisão em Wembley.
Posteriormente, o Nottingham Forest derrotou o Huddersfield e conquistou o acesso à Premier League depois de 23 anos longe da elite inglesa.
Mesmo sem uma passagem extremamente longa, Samba ficou associado a um dos momentos mais importantes da história moderna do clube.
Leia também: veja maiores goleiros da história do Athletico Paranaense.
8. Matz Sels
Matz Sels também merece espaço quando falamos da fase contemporânea do Nottingham Forest.
O goleiro belga chegou ao clube em 2024 e rapidamente conquistou espaço.
Sua regularidade e capacidade de realizar defesas importantes ajudaram o Forest em uma fase de crescimento esportivo na Premier League.
Ainda é necessário considerar a longevidade de sua passagem antes de colocá-lo no mesmo patamar das grandes lendas históricas, mas seu desempenho já permite incluí-lo entre os goleiros relevantes da era recente.
Por que Peter Shilton é o maior goleiro do Nottingham Forest?
Existem jogadores cuja identificação com determinada fase histórica é praticamente impossível de separar.
Esse é o caso de Peter Shilton e o Nottingham Forest de Brian Clough.
Quando o Forest conquistou sua primeira Copa dos Campeões em 1979, Shilton estava no gol.
Quando voltou à final em 1980 e derrotou o Hamburgo, ele novamente estava lá — e com uma atuação destacada pela própria UEFA como fundamental para preservar o 1 a 0.
Quando o Forest derrotou o Barcelona e conquistou a Supercopa Europeia, Shilton também fazia parte daquela equipe.
É uma combinação difícil de superar: qualidade individual, títulos, protagonismo e participação no período mais importante de toda a história do clube.
A tradição de goleiros do Nottingham Forest
Existe outro detalhe interessante.
Durante alguns anos, o Forest conseguiu colocar em sequência goleiros de altíssimo nível.
Peter Shilton deixou o clube em 1982. Para substituí-lo, Brian Clough escolheu Hans van Breukelen, que posteriormente seria campeão da Europa tanto por clube quanto pela seleção holandesa. A própria UEFA registra que o holandês foi contratado especificamente como sucessor de Shilton.
Depois vieram nomes como Sutton e Crossley.
Ou seja, apesar de Shilton estar muito acima dos demais em importância histórica, o Forest conseguiu manter uma tradição interessante na posição.
Ranking dos maiores goleiros da história do Nottingham Forest
Considerando qualidade técnica, títulos, importância histórica, longevidade e identificação com o clube, meu ranking fica:
Leia também: confira maiores goleiros da história do Barcelona.
- Peter Shilton
- Mark Crossley
- Hans van Breukelen
- Steve Sutton
- John Middleton
- Chris Woods
- Brice Samba
- Matz Sels
É importante observar que comparar jogadores de épocas tão diferentes sempre envolve alguma subjetividade. Crossley, por exemplo, possui uma ligação muito maior com o Forest do que Van Breukelen, enquanto o holandês alcançou um nível internacional extraordinário durante sua carreira.
No primeiro lugar, porém, a discussão é muito menor.
Peter Shilton não foi simplesmente um grande goleiro que passou pelo Nottingham Forest. Ele foi o goleiro da equipe que conquistou duas vezes consecutivas a Europa.
E isso faz com que seu nome permaneça diretamente ligado à era mais gloriosa da história dos Tricky Trees.