Maiores zagueiros da história do Arsenal
A história do Arsenal possui uma relação especial com grandes defensores. Antes mesmo das equipes ofensivas de Arsène Wenger encantarem a Inglaterra, os Gunners já haviam construído parte de sua reputação sobre…

A história do Arsenal possui uma relação especial com grandes defensores. Antes mesmo das equipes ofensivas de Arsène Wenger encantarem a Inglaterra, os Gunners já haviam construído parte de sua reputação sobre sistemas defensivos extremamente fortes.
Tony Adams, David O'Leary, Martin Keown, Steve Bould, Sol Campbell, Kolo Touré e Laurent Koscielny representam épocas completamente diferentes. Alguns foram formados no próprio clube, outros chegaram já estabelecidos, mas todos deixaram marcas importantes no norte de Londres.
Dos títulos conquistados sob George Graham aos Invincibles de 2003/04, estes são alguns dos maiores zagueiros que vestiram a camisa do Arsenal.
1. Tony Adams
É praticamente impossível contar a história defensiva do Arsenal sem começar por Tony Adams.
Formado nas categorias de base, Adams chegou ao time principal ainda adolescente e passou toda a carreira profissional defendendo apenas um clube.
Foram 669 partidas pelo Arsenal, número que o coloca atrás somente de David O'Leary na lista histórica de aparições. Em 1988, com apenas 22 anos, tornou-se capitão.
E não foi um capitão qualquer.
Adams liderou diferentes gerações dos Gunners e conquistou títulos em três décadas distintas. O Arsenal registra dez grandes títulos durante seu período como capitão, incluindo quatro campeonatos ingleses.
Sua trajetória atravessou uma transformação enorme no próprio clube.
Adams foi símbolo do Arsenal de George Graham, famoso pela organização defensiva, e continuou fundamental depois da chegada de Arsène Wenger.
Em 1997/98, estava no time que conquistou Premier League e FA Cup.
Na partida que confirmou matematicamente aquele campeonato, contra o Everton, Adams marcou o último gol da vitória por 4 a 0. A comemoração se tornou tão emblemática que posteriormente foi reproduzida em sua estátua nos arredores do Emirates Stadium.
Liderança, identificação, longevidade e títulos fazem de Adams a grande referência quando se fala em zagueiros do Arsenal.
2. David O'Leary
Se Tony Adams representa liderança, David O'Leary representa longevidade.
O irlandês chegou muito jovem ao Arsenal e estreou pela equipe principal em 1975.
A partir dali, construiu uma marca que permanece extraordinária:
722 partidas pelo Arsenal.
O'Leary é o recordista absoluto de jogos pelo clube, tendo permanecido aproximadamente 18 anos na equipe principal. Durante esse período, conquistou seis grandes títulos, incluindo dois campeonatos ingleses.
Seu estilo também era diferente de alguns defensores mais físicos que posteriormente vestiriam a camisa vermelha.
O'Leary era reconhecido pela leitura de jogo e pela qualidade técnica, características que permitiram uma carreira excepcionalmente longa.
Pouquíssimos jogadores na história do futebol inglês conseguiram construir tamanha identificação com uma única equipe.
3. Sol Campbell
A chegada de Sol Campbell ao Arsenal em 2001 já seria suficiente para colocá-lo em uma posição especial na história do clube.
Capitão e referência do Tottenham, Campbell atravessou o norte de Londres e assinou gratuitamente com o maior rival.
Mas sua importância não ficou limitada à transferência.
Campbell se tornou um dos pilares da defesa de Arsène Wenger.
Forte fisicamente, rápido e dominante pelo alto, encaixava perfeitamente em uma equipe que atacava com muitos jogadores e precisava de defensores capazes de controlar grandes espaços.
Conquistou a Premier League logo em 2001/02.
Dois anos depois, participou de algo ainda maior.
Sol Campbell e os Invincibles
Na temporada 2003/04, o Arsenal conquistou a Premier League sem perder uma única partida.
Campbell era um dos principais jogadores daquela defesa.
A equipe terminaria o campeonato com:
26 vitórias
12 empates
0 derrotas
A campanha entrou definitivamente para a história como a temporada dos Invincibles. O próprio Arsenal mantém esse time como um dos capítulos centrais de seu acervo histórico.
Campbell ainda marcou um gol na final da Champions League de 2006 contra o Barcelona, embora o Arsenal tenha terminado derrotado por 2 a 1.
Seu auge combinou força, velocidade, posicionamento e capacidade para enfrentar atacantes de diferentes características.
4. Martin Keown
Martin Keown possui uma história incomum com o Arsenal.
Formado no clube, deixou os Gunners ainda jovem e passou por Aston Villa e Everton antes de retornar.
Na segunda passagem, tornou-se uma das figuras mais características da defesa londrina.
Keown tinha velocidade, intensidade e uma enorme capacidade de disputar fisicamente cada jogada. O próprio Arsenal destaca sua combinação de velocidade e força nos desarmes.
Mas sua carreira não ficou limitada ao futebol mais físico dos anos 1990.
Com Wenger, adaptou-se às mudanças da equipe e continuou importante.
Participou da conquista de 1997/98, voltou a ser campeão em 2001/02 e ainda integrou o elenco dos Invincibles em sua última temporada, 2003/04.
Os números defensivos também ajudam a demonstrar sua longevidade: Keown participou de 103 partidas sem sofrer gols na era Premier League, segundo levantamento do Arsenal.
Poucos defensores representam tão bem a transição entre o Arsenal de George Graham e o de Arsène Wenger.
5. Steve Bould
A famosa defesa do Arsenal dos anos 1990 não seria a mesma sem Steve Bould.
Contratado do Stoke City em 1988, Bould formou com Tony Adams uma das duplas defensivas mais emblemáticas do futebol inglês.
O contexto é importante.
Aquele Arsenal tinha uma linha defensiva que se tornou quase lendária:
Lee Dixon, Steve Bould, Tony Adams e Nigel Winterburn.
Atrás deles, David Seaman.
A organização era tão eficiente que a defesa passou a fazer parte da própria identidade do clube.
Bould participou dos títulos ingleses de 1988/89 e 1990/91 e continuou relevante durante os primeiros anos de Wenger.
Posteriormente, retornaria ao Arsenal como integrante da comissão técnica, reforçando ainda mais sua ligação com o clube.
Uma camisa que representa a transição entre duas eras
A temporada 1996/97 possui um significado interessante nessa história.
Foi quando Arsène Wenger assumiu definitivamente o comando e começou a transformar o Arsenal.
Adams, Bould e Keown ainda representavam a tradição defensiva construída anteriormente, enquanto novas ideias começavam a modificar treinamento, preparação física e estilo de jogo.
Por isso, a camisa alternativa do Arsenal na primeira temporada de Wenger representa visualmente um período de transição fundamental.
Leia também: Barcelona deixará o Camp Nou novamente em 2027 para continuidade das obras.
Poucos anos depois, aquela combinação entre uma defesa experiente e as novas ideias do treinador produziria a dobradinha de Premier League e FA Cup em 1997/98.
6. Kolo Touré
Quando Kolo Touré chegou ao Arsenal, poucos poderiam imaginar o tamanho que teria sua participação no clube.
O marfinense foi inicialmente utilizado em diferentes funções, mas encontrou seu espaço definitivo na zaga.
E sua velocidade se tornou uma enorme vantagem.
Touré conseguia recuperar terreno rapidamente, antecipar adversários e defender espaços que outros zagueiros teriam dificuldade para alcançar.
Sua temporada mais famosa aconteceu justamente em 2003/04.
Com Sol Campbell, formou a dupla de zaga de boa parte da campanha dos Invincibles.
Depois da saída de Campbell, Touré continuou importante e chegou inclusive a utilizar a braçadeira de capitão em algumas ocasiões.
Na era Premier League, participou de 76 jogos do Arsenal sem sofrer gols.
7. Laurent Koscielny
Durante boa parte da década de 2010, Laurent Koscielny foi a principal referência defensiva do Arsenal.
Contratado do Lorient em 2010, chegou relativamente desconhecido para boa parte do público inglês.
Com o tempo, porém, tornou-se indispensável.
Koscielny tinha características especialmente adequadas a equipes que defendiam com a linha adiantada: velocidade, antecipação e capacidade de recuperar a bola antes que o atacante conseguisse dominar completamente a jogada.
Foram 255 partidas pela Premier League com a camisa do Arsenal.
Também participou de 90 jogos sem sofrer gols na competição, um dos melhores números entre os defensores do clube na era Premier League.
Sua importância aumentou tanto que posteriormente se tornou capitão.
Entre seus principais títulos estão as Copas da Inglaterra conquistadas durante a década de 2010.
8. Per Mertesacker
Se Koscielny oferecia velocidade, Per Mertesacker oferecia leitura de jogo.
O alemão não era conhecido por ser rápido.
Mesmo assim, compensava essa limitação com posicionamento, inteligência e capacidade de antecipar aquilo que aconteceria na jogada.
A parceria entre Mertesacker e Koscielny funcionou justamente porque os dois possuíam características complementares.
O alemão também assumiu grande responsabilidade dentro do vestiário.
Foi capitão do Arsenal em mais de cem partidas, algo que poucos jogadores conseguiram desde o final dos anos 1980.
Um de seus momentos mais marcantes aconteceu na final da FA Cup de 2017.
Depois de passar grande parte da temporada sem atuar regularmente, Mertesacker foi titular contra o Chelsea e participou da vitória por 2 a 1 que deu o título ao Arsenal. A escalação daquela decisão confirma sua presença no centro da defesa.
Posteriormente, permaneceu ligado ao clube trabalhando na formação de jogadores.
9. Frank McLintock
Para encontrar outro grande zagueiro é necessário voltar algumas décadas.
Frank McLintock foi uma das figuras centrais da histórica equipe do Arsenal no começo dos anos 1970.
Capitão e líder, esteve no time que conquistou a famosa dobradinha de 1970/71.
Naquela temporada, o Arsenal ganhou o Campeonato Inglês e depois derrotou o Liverpool na final da FA Cup em Wembley.
Leia também: veja flick elogia Raphinha no Barcelona e destaca liderança do brasileiro.
McLintock estava no centro da defesa naquela decisão.
Sua liderança foi fundamental para uma geração que marcou o clube muito antes da Premier League existir.
É justamente por isso que qualquer seleção histórica de defensores do Arsenal precisa olhar além das últimas décadas.
10. Gabriel Magalhães
Entre os zagueiros da geração mais recente, Gabriel Magalhães construiu uma trajetória relevante no Arsenal.
O brasileiro chegou em 2020 e gradualmente tornou-se uma das referências defensivas da equipe.
Forte fisicamente, agressivo nas disputas aéreas e perigoso nas bolas paradas ofensivas, Gabriel também evoluiu na saída de bola durante o trabalho de Mikel Arteta.
Um dado ajuda a dimensionar seu desempenho defensivo: levantamento recente do próprio Arsenal registrava Gabriel em 74 partidas sem sofrer gols pela Premier League.
Sua parceria com William Saliba passou a ocupar papel central na evolução defensiva da equipe.
Como ambos ainda pertencem a uma geração em atividade, sua posição histórica naturalmente pode mudar com o restante de suas trajetórias.
E William Saliba?
William Saliba merece uma consideração separada pelo mesmo motivo.
Sua trajetória no Arsenal ainda está sendo construída.
Depois de empréstimos na França, o defensor finalmente ganhou espaço na equipe principal e rapidamente se tornou um dos jogadores mais importantes do sistema de Arteta.
Velocidade, força física, tranquilidade com a bola e capacidade de defender grandes espaços fizeram dele um zagueiro especialmente adequado ao estilo atual do Arsenal.
Saliba já acumulou múltiplas aparições na seleção da temporada da PFA; levantamento oficial do Arsenal registrava duas inclusões até 2023/24.
Se mantiver esse nível durante muitos anos, poderá naturalmente avançar quando sua trajetória for comparada às lendas históricas da posição.
O Arsenal e sua tradição defensiva
Quando pensamos no Arsenal de Wenger, é comum lembrar primeiro de Henry, Bergkamp, Pires, Vieira e outros jogadores ofensivos.
Mas o sucesso daquela equipe também foi construído sobre uma tradição defensiva que já existia.
Adams.
Bould.
Keown.
Dixon.
Winterburn.
Posteriormente Campbell e Touré.
Essa sequência ajuda a explicar por que tantos defensores aparecem entre os jogadores com mais partidas sem sofrer gols pelo clube na Premier League. Tony Adams aparece com 113, Keown com 103, Koscielny com 90 e Touré com 76.
E a história não se resume aos zagueiros. Para completar essa linha defensiva histórica, vale conhecer também os laterais direitos que marcaram diferentes gerações do Arsenal, dos defensores clássicos aos jogadores de perfil mais ofensivo.
Como a função do zagueiro mudou no Arsenal
Comparar Tony Adams com Saliba mostra o quanto a posição mudou.
Durante boa parte do futebol inglês do século XX, o zagueiro precisava prioritariamente:
marcar, vencer duelos aéreos, organizar a linha defensiva e afastar o perigo.
Essas características continuam importantes.
Mas atualmente um defensor do Arsenal também precisa participar ativamente da construção.
O time de Arteta utiliza os zagueiros para circular a bola, atrair a pressão adversária e iniciar ataques desde o próprio campo.
Isso exige jogadores tecnicamente seguros e capazes de tomar decisões sob pressão.
O próprio trabalho de Arteta envolve métodos que ultrapassam a preparação tática convencional. Recentemente, mostramos como o treinador cria situações inesperadas para testar a capacidade de adaptação do elenco do Arsenal.
Essa atenção aos detalhes ajuda a explicar por que a construção defensiva moderna envolve muito mais do que simplesmente impedir gols.
As grandes duplas de zaga do Arsenal
Outra forma interessante de observar essa história é pelas parcerias.
Tony Adams e Steve Bould simbolizam a extraordinária organização defensiva do Arsenal dos anos 1980 e 1990.
Adams e Keown atravessaram parte da transição para Wenger.
Campbell e Touré estão diretamente ligados aos Invincibles.
Koscielny e Mertesacker representam boa parte da década seguinte.
Gabriel e Saliba simbolizam a geração mais recente.
Cada dupla funcionou dentro de um futebol diferente.
E isso torna qualquer comparação direta difícil.
O jogo ficou mais rápido, as regras mudaram e as responsabilidades dos defensores aumentaram na construção ofensiva.
Quem foi o maior zagueiro da história do Arsenal?
Existem argumentos históricos diferentes.
David O'Leary possui o recorde absoluto de partidas pelo Arsenal: 722.
Sol Campbell foi um dos pilares dos Invincibles.
Martin Keown e Steve Bould participaram de algumas das defesas mais emblemáticas do futebol inglês.
Mas a trajetória de Tony Adams possui uma combinação especialmente rara.
Foram 669 partidas, uma carreira inteira no Arsenal, capitania desde os 22 anos e títulos conquistados em diferentes eras.
Mais do que um grande defensor, Adams se tornou um dos símbolos históricos dos Gunners.
Sua estátua do lado de fora do Emirates Stadium talvez seja a representação perfeita disso.
A história dos zagueiros do Arsenal, porém, não termina nele.
De O'Leary a Adams, de Campbell a Koscielny e da geração clássica à parceria Gabriel-Saliba, a posição acompanhou praticamente todas as grandes transformações esportivas vividas pelo clube londrino.