Cruzeiro em 1996: elenco, títulos e a temporada do bicampeonato da Copa do Brasil
A temporada de 1996 do Cruzeiro ocupa um lugar especial na história da Raposa. Foi um ano de títulos, grandes atuações e de afirmação de jogadores que se tornariam símbolos do clube…

A temporada de 1996 do Cruzeiro ocupa um lugar especial na história da Raposa. Foi um ano de títulos, grandes atuações e de afirmação de jogadores que se tornariam símbolos do clube e do futebol brasileiro.
Com Dida no gol, Ricardinho no meio-campo, Palhinha na criação e Marcelo Ramos no ataque, o Cruzeiro conquistou o Campeonato Mineiro e, principalmente, a Copa do Brasil, superando na decisão um Palmeiras que vivia uma temporada espetacular.
No Campeonato Brasileiro, a Raposa também realizou uma boa campanha, mas encontrou a surpreendente Portuguesa nas quartas de final.
No total das quatro principais competições disputadas naquele ano — Mineiro, Copa do Brasil, Brasileiro e Supercopa Libertadores — registros estatísticos apontam 77 partidas, 46 vitórias, 17 empates e 14 derrotas, com 135 gols marcados.
Foi uma temporada que ajudou a preparar o terreno para outra conquista gigantesca: a Libertadores de 1997.
Como começou a temporada do Cruzeiro em 1996?
O Cruzeiro iniciou 1996 com um elenco bastante competitivo comandado por Levir Culpi.
Entre os jogadores utilizados ao longo daquele período estavam nomes como:
Dida, Vítor, Nonato, Célio Lúcio, Gélson Baresi, Fabinho, Ricardinho, Palhinha, Roberto Gaúcho, Cleisson, Marcelo Ramos e Uéslei.
Era uma equipe que combinava jogadores experientes com atletas que ainda construíam suas carreiras.
O principal destaque no gol era Dida, que já começava a demonstrar as características que posteriormente fariam dele um dos grandes goleiros brasileiros de sua geração.
Na frente, Marcelo Ramos assumia cada vez mais protagonismo.
Cruzeiro campeão mineiro de 1996
O primeiro grande título daquela temporada veio no Campeonato Mineiro.
A disputa teve um roteiro emocionante. Segundo o retrospecto histórico publicado pelo ge, o Cruzeiro conseguiu recuperar uma diferença de seis pontos para o Atlético-MG nas três rodadas finais e terminou campeão estadual.
Considerando toda a campanha no estadual, registros da temporada apontam 34 jogos, 25 vitórias, quatro empates e cinco derrotas, com 69 gols marcados e apenas 19 sofridos.
Mas aquele seria apenas o começo.
O grande momento do Cruzeiro em 1996 aconteceria na Copa do Brasil.
A Copa do Brasil de 1996
A competição daquele ano contou com 40 clubes.
O Cruzeiro buscava seu segundo título, depois de ter conquistado a Copa do Brasil pela primeira vez em 1993.
A campanha começou contra o Juventus do Acre.
No primeiro confronto:
Juventus-AC 1 x 1 Cruzeiro
Na volta:
Cruzeiro 4 x 0 Juventus-AC
Marcelo Ramos marcou duas vezes na goleada que confirmou a classificação.
A partir dali, o nível dos adversários aumentaria consideravelmente.
Vasco 2 x 6 Cruzeiro: uma das grandes goleadas da campanha
Nas oitavas de final, o Cruzeiro enfrentou o Vasco.
E o primeiro confronto aconteceu em São Januário.
O resultado foi impressionante:
Vasco 2 x 6 Cruzeiro.
Uéslei, Gélson, Roberto Gaúcho, Marcelo Ramos, Palhinha e Edmundo marcaram os gols cruzeirenses.
A goleada praticamente encaminhou a classificação.
No jogo de volta, o empate por 1 a 1 confirmou o Cruzeiro na fase seguinte.
Era a primeira grande demonstração de força daquela campanha.
Cruzeiro 4 x 0 Corinthians
O adversário seguinte era o Corinthians.
Na primeira partida das quartas de final, disputada no Independência, o Cruzeiro novamente apresentou um futebol extremamente eficiente.
Cruzeiro 4 x 0 Corinthians.
Nonato, Célio Lúcio, Cleisson e Palhinha marcaram.
O Corinthians venceu o confronto de volta no Pacaembu, mas a enorme vantagem construída em Belo Horizonte garantiu a classificação cruzeirense. A CBF registra a campanha completa da Raposa na competição com quatro vitórias, cinco empates e apenas uma derrota.
O próximo adversário seria o Flamengo.
Flamengo x Cruzeiro na semifinal
Diferentemente das fases anteriores, a semifinal foi extremamente equilibrada.
No Maracanã:
Flamengo 1 x 1 Cruzeiro.
No segundo confronto:
Cruzeiro 0 x 0 Flamengo.
Os dois resultados foram suficientes para colocar a Raposa na decisão.
E o adversário parecia assustador.
Era o Palmeiras.
O Palmeiras dos 102 gols
Para entender a dimensão da conquista cruzeirense, é necessário observar quem estava do outro lado.
O Palmeiras de Vanderlei Luxemburgo havia acabado de realizar uma campanha histórica no Campeonato Paulista.
Com nomes como Cafu, Cléber, Júnior, Amaral, Djalminha, Rivaldo, Müller e Luizão, o time marcou 102 gols em apenas 30 partidas no estadual.
Por isso, o Palmeiras chegou à decisão da Copa do Brasil cercado de enorme expectativa. A própria CBF registra que o time paulista era tratado como favorito naquele confronto.
O Cruzeiro, porém, não se intimidou.
Cruzeiro 1 x 1 Palmeiras no Mineirão
A primeira partida da final aconteceu em 14 de junho de 1996, no Mineirão.
O resultado foi:
Cruzeiro 1 x 1 Palmeiras.
A igualdade deixou tudo aberto para a partida de volta.
Cinco dias depois, em 19 de junho, os dois clubes voltariam a se enfrentar, desta vez no Parque Antarctica.
E aquela partida entraria definitivamente para a história do Cruzeiro.
Palmeiras 1 x 2 Cruzeiro: a final histórica de 1996
O Palmeiras começou melhor.
Logo aos cinco minutos, Luizão abriu o placar.
Diante de sua torcida e com um dos times mais ofensivos do país, o Palmeiras parecia ter assumido o controle da decisão.
Mas o Cruzeiro respondeu.
Ainda no primeiro tempo, Roberto Gaúcho empatou.
Palmeiras 1 x 1 Cruzeiro.
O jogo permaneceu aberto durante praticamente todo o segundo tempo.
Até que apareceu Marcelo Ramos.
Marcelo Ramos e o gol do título
Já nos minutos finais, Nonato colocou a bola na área.
O goleiro Velloso não conseguiu segurá-la.
Marcelo Ramos estava exatamente onde um centroavante precisava estar.
Ele aproveitou a sobra e marcou.
Palmeiras 1 x 2 Cruzeiro.
Era o gol do título.
A CBF registra que Marcelo Ramos terminou a campanha como artilheiro do Cruzeiro na Copa do Brasil, com sete gols, ficando atrás apenas de Luizão, que marcou oito pelo Palmeiras.
Marcelo também havia marcado no primeiro jogo da final.
Assim, balançou as redes nas duas partidas da decisão.
Dida foi fundamental na decisão
Embora o gol de Marcelo Ramos seja a imagem mais lembrada daquela final, o Cruzeiro também precisou resistir à pressão palmeirense.
E Dida teve papel fundamental.
O Palmeiras possuía enorme capacidade ofensiva e pressionou em busca do gol durante diferentes momentos da partida.
A atuação do goleiro foi posteriormente lembrada como uma das peças fundamentais daquela conquista.
Dida terminaria 1996 também reconhecido individualmente por seu desempenho no Campeonato Brasileiro, aparecendo entre os destaques da posição naquele ano.
Sua passagem pelo Cruzeiro ainda teria outros capítulos históricos.
A escalação do Cruzeiro na final
Na partida que decidiu a Copa do Brasil, o Cruzeiro entrou em campo com:
Dida; Vítor, Gélson Baresi, Célio Lúcio e Nonato; Fabinho, Ricardinho, Palhinha e Roberto Gaúcho; Cleisson e Marcelo Ramos.
Técnico: Levir Culpi.
Era uma equipe que reunia diferentes características.
Dida garantia segurança no gol.
Ricardinho ajudava a organizar o meio.
Palhinha acrescentava técnica.
Roberto Gaúcho aparecia como opção ofensiva.
E Marcelo Ramos era a referência dentro da área.
A campanha completa do Cruzeiro na Copa do Brasil de 1996
A trajetória até o título teve dez partidas:
| Fase | Jogo |
|---|---|
| Primeira fase | Juventus-AC 1 x 1 Cruzeiro |
| Primeira fase | Cruzeiro 4 x 0 Juventus-AC |
| Oitavas | Vasco 2 x 6 Cruzeiro |
| Oitavas | Cruzeiro 1 x 1 Vasco |
| Quartas | Cruzeiro 4 x 0 Corinthians |
| Quartas | Corinthians 3 x 2 Cruzeiro |
| Semifinal | Flamengo 1 x 1 Cruzeiro |
| Semifinal | Cruzeiro 0 x 0 Flamengo |
| Final | Cruzeiro 1 x 1 Palmeiras |
| Final | Palmeiras 1 x 2 Cruzeiro |
O saldo final foi de quatro vitórias, cinco empates e uma derrota, com 22 gols marcados e dez sofridos.
O resultado transformou o Cruzeiro em bicampeão da Copa do Brasil, somando 1993 e 1996 naquele momento.
A camisa do Cruzeiro e a memória daquela geração
Os uniformes dos anos 1990 se tornaram parte inseparável da memória daquele período.
No caso do Cruzeiro, o tradicional azul está diretamente associado a uma geração que contou com Dida, Marcelo Ramos, Palhinha, Ricardinho e tantos outros nomes importantes.
Para quem gosta de revisitar essa identidade celeste e acompanhar também os modelos atuais, a Camisa do Cruzeiro mantém viva uma das imagens mais reconhecíveis do futebol brasileiro: a camisa azul com as estrelas da Raposa.
Em 1996, ela esteve presente em uma das conquistas mais improváveis e celebradas da história cruzeirense.
E como foi o Cruzeiro no Campeonato Brasileiro de 1996?
A temporada não terminou com a Copa do Brasil.
O Cruzeiro também realizou uma campanha competitiva no Campeonato Brasileiro.
Foram 25 partidas, 14 vitórias, cinco empates e seis derrotas, segundo os registros estatísticos da temporada.
A equipe chegou às quartas de final.
E encontrou justamente uma das maiores surpresas daquele campeonato:
a Portuguesa.
A eliminação para a Portuguesa
A Portuguesa de 1996 tinha jogadores como Zé Roberto, Rodrigo Fabri, Capitão, Gallo, Caio e Alex Alves e chegaria até a decisão do campeonato.
No primeiro confronto das quartas de final, a Lusa construiu uma vantagem muito difícil de reverter.
Portuguesa 3 x 0 Cruzeiro.
Na partida seguinte, a Raposa venceu por 1 a 0, mas não conseguiu recuperar a diferença.
O Cruzeiro estava eliminado.
A Portuguesa avançaria posteriormente sobre o Atlético Mineiro antes de disputar a histórica final contra o Grêmio.
Essa campanha, junto com o Palmeiras dos 102 gols e outros grandes personagens daquele ano, ajuda a entender por que a temporada de 1996 do futebol brasileiro permanece tão interessante para quem acompanha a história do futebol nacional.
Cruzeiro na Supercopa Libertadores
O calendário cruzeirense ainda teve uma importante competição continental.
A Supercopa Libertadores reunia antigos campeões da Libertadores e teve grande relevância no futebol sul-americano daquele período.
O Cruzeiro disputou oito partidas na edição de 1996, com três vitórias, três empates e duas derrotas, sendo eliminado antes da decisão.
Não houve título continental naquele ano.
Mas isso mudaria rapidamente.
1996 preparou o Cruzeiro campeão da Libertadores de 1997
Observar 1996 isoladamente já revela uma temporada muito importante.
Mas sua dimensão aumenta quando analisamos o que aconteceu depois.
A equipe possuía uma base competitiva, jogadores jovens ganhavam experiência e o clube terminava o ano com dois troféus importantes.
No ano seguinte, o Cruzeiro conquistaria a Libertadores de 1997, seu segundo título continental.
Dessa maneira, 1996 pode ser visto também como parte da construção de uma das fases mais vitoriosas da história moderna da Raposa.
Os principais personagens do Cruzeiro em 1996
Dida foi segurança no gol e teve papel decisivo especialmente na final da Copa do Brasil.
Marcelo Ramos tornou-se o grande personagem ofensivo da conquista nacional, terminando a Copa do Brasil com sete gols e marcando nas duas partidas da final.
Roberto Gaúcho marcou o gol que recolocou o Cruzeiro na decisão contra o Palmeiras.
Ricardinho era uma das peças importantes do meio-campo e também recebeu reconhecimento individual por sua temporada.
Palhinha acrescentava qualidade técnica e experiência.
Nonato participou diretamente do lance que terminaria no gol histórico de Marcelo Ramos.
E Levir Culpi comandou uma equipe capaz de conquistar tanto Minas Gerais quanto o Brasil.
Por que o Cruzeiro de 1996 ficou marcado?
Porque aquela equipe conseguiu derrotar adversários de enorme peso em uma única campanha.
Na Copa do Brasil, o caminho passou por:
Vasco.
Corinthians.
Flamengo.
Palmeiras.
Contra o Vasco, houve uma goleada por 6 a 2 em São Januário.
Contra o Corinthians, 4 a 0.
Contra o Flamengo, dois confrontos extremamente equilibrados.
E na decisão estava o Palmeiras de Rivaldo, Djalminha, Cafu, Luizão e companhia.
O Cruzeiro chegou ao Parque Antarctica, saiu atrás no placar e virou.
O gol decisivo veio justamente de Marcelo Ramos, um dos grandes artilheiros da história recente do clube.
Ao final de 1996, a Raposa havia conquistado Campeonato Mineiro e Copa do Brasil, chegado às quartas de final do Brasileiro e acumulado uma temporada de 46 vitórias em 77 partidas nas quatro principais competições registradas.
Foi uma temporada que ajudou a consolidar jogadores, criou uma das grandes finais da história cruzeirense e serviu de ponte para a Libertadores conquistada no ano seguinte.
O Cruzeiro de 1996 não foi apenas campeão. Foi o começo de uma sequência que colocaria novamente a Raposa entre as grandes forças da América.