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Futebol Internacional

Franz Beckenbauer na Seleção Alemã: história, títulos e legado

Poucos jogadores tiveram uma influência tão profunda na história da Seleção Alemã quanto Franz Beckenbauer. Conhecido mundialmente como Der Kaiser, ele foi muito mais do que um grande defensor: tornou-se capitão de…

Blog do Capita

7 min de leitura

Poucos jogadores tiveram uma influência tão profunda na história da Seleção Alemã quanto Franz Beckenbauer. Conhecido mundialmente como Der Kaiser, ele foi muito mais do que um grande defensor: tornou-se capitão de uma geração campeã, ajudou a transformar a maneira de interpretar a posição de líbero e, anos depois, voltou a conquistar a Copa do Mundo comandando a Alemanha fora das quatro linhas.

Entre 1965 e 1977, Beckenbauer disputou 103 partidas pela Alemanha Ocidental e marcou 14 gols. Foram três Copas do Mundo como jogador, um título europeu e participações decisivas em algumas das partidas mais importantes da história da seleção.

O início de Franz Beckenbauer na Seleção Alemã

Beckenbauer estreou pela Alemanha Ocidental em 26 de setembro de 1965. Ainda era muito jovem, mas rapidamente conquistou espaço em uma seleção que se preparava para disputar a Copa do Mundo do ano seguinte.

A Copa de 1966, na Inglaterra, seria justamente seu primeiro grande torneio internacional.

E a estreia dificilmente poderia ter sido mais impressionante.

Beckenbauer marcou duas vezes na vitória por 5 a 0 sobre a Suíça na primeira partida alemã daquele Mundial. A Alemanha avançou até a decisão e terminou como vice-campeã depois de perder para a Inglaterra.

Ao longo da competição, Beckenbauer marcou quatro gols, um número expressivo principalmente considerando a função que desempenharia ao longo da carreira.

Com apenas 20 anos, já havia disputado uma final de Copa do Mundo.

A Copa de 1970 e a imagem que entrou para a história

Quatro anos depois, Beckenbauer novamente teve papel importante na campanha alemã.

A Alemanha Ocidental terminou a Copa do Mundo de 1970 na terceira colocação.

Mas uma das imagens mais lembradas de Beckenbauer naquele torneio aconteceu na histórica semifinal contra a Itália.

Após sofrer uma lesão no ombro durante a partida e sem a possibilidade de uma substituição adicional, Beckenbauer permaneceu em campo com o braço imobilizado junto ao corpo.

A Alemanha acabou derrotada por 4 a 3 na prorrogação, em uma partida que ficou conhecida como um dos grandes jogos da história das Copas.

A cena de Beckenbauer continuando em campo tornou-se uma das imagens mais marcantes de sua carreira internacional.

Beckenbauer e a transformação do líbero

Entender o legado de Franz Beckenbauer exige ir além dos títulos.

Embora não tenha inventado a posição de líbero, ele se tornou uma de suas maiores referências.

Beckenbauer não permanecia apenas atrás da defesa esperando o ataque adversário. Sua qualidade técnica permitia que recuperasse a bola e avançasse para iniciar a construção das jogadas.

Era um defensor capaz de organizar o jogo.

Essa característica combinava perfeitamente com sua elegância em campo: condução de bola, visão, passes longos e capacidade de aparecer no meio-campo transformavam o alemão em uma peça difícil de enquadrar nas funções tradicionais.

Foi justamente dessa combinação que surgiu boa parte da imagem associada ao Kaiser.

Capitão da Alemanha campeã da Eurocopa de 1972

Antes da conquista mundial, veio o primeiro grande título de Beckenbauer pela seleção.

A Alemanha Ocidental conquistou a Eurocopa de 1972, disputada na Bélgica.

Beckenbauer era o capitão da equipe e comandava o sistema alemão a partir da posição de líbero. Na decisão, a Alemanha venceu a União Soviética por 3 a 0 e conquistou seu primeiro título europeu.

Aquela geração possuía jogadores extraordinários.

Além de Beckenbauer, nomes como Gerd Müller, Sepp Maier, Paul Breitner, Günter Netzer e Uli Hoeneß ajudaram a formar uma das equipes mais importantes da história alemã.

A própria UEFA registra uma declaração do técnico Helmut Schön classificando aquela equipe de 1972 como a melhor que comandou.

Mas ainda faltava a Copa do Mundo.

A Copa do Mundo de 1974

Dois anos depois, a Alemanha recebeu a Copa do Mundo de 1974.

Beckenbauer chegava ao torneio como capitão e uma das maiores estrelas do futebol europeu.

A campanha não foi completamente tranquila. A Alemanha Ocidental chegou inclusive a perder por 1 a 0 para a Alemanha Oriental durante a primeira fase.

Mesmo assim, avançou e chegou à decisão.

O adversário seria a Holanda de Johan Cruyff, uma seleção que havia impressionado durante o torneio com o futebol que ficou associado à ideia do “Futebol Total”.

Alemanha x Holanda na final de 1974

A final aconteceu em Munique.

A Holanda abriu o placar antes mesmo que um jogador alemão tivesse tocado na bola, depois de um pênalti convertido por Johan Neeskens.

A Alemanha reagiu.

Paul Breitner empatou, também de pênalti, e Gerd Müller marcou o gol da virada ainda no primeiro tempo.

O placar permaneceu em 2 a 1.

A Alemanha Ocidental era campeã mundial.

E Franz Beckenbauer tornou-se o capitão responsável por levantar o troféu diante da torcida alemã.

Depois do título europeu de 1972, aquela geração confirmava seu lugar na história.

Quantos jogos Beckenbauer fez pela Alemanha?

Franz Beckenbauer terminou sua trajetória pela seleção principal com:

103 partidas
14 gols
69 vitórias
19 empates
15 derrotas

Também disputou 18 partidas em Copas do Mundo, marcando cinco gols no torneio.

Sua última partida pela Alemanha aconteceu em fevereiro de 1977.

Os números são importantes, mas não explicam sozinhos a dimensão de sua passagem pela seleção.

Beckenbauer esteve diretamente ligado a uma sequência extraordinária de resultados internacionais: vice-campeão mundial em 1966, terceiro colocado em 1970, campeão europeu em 1972 e campeão mundial em 1974. Também terminou como vice-campeão da Eurocopa de 1976.

Não por acaso, Beckenbauer ocupa uma posição de enorme destaque quando analisamos os maiores jogadores da história da Seleção Alemã, ao lado de lendas de diferentes gerações como Gerd Müller, Lothar Matthäus, Miroslav Klose e Manuel Neuer.

Beckenbauer também foi campeão mundial como treinador

A relação de Beckenbauer com a Seleção Alemã não terminou quando ele deixou de jogar.

Anos depois, assumiu o comando da Alemanha Ocidental.

Na Copa do Mundo de 1986, levou a equipe até a decisão contra a Argentina de Diego Maradona. Os alemães perderam por 3 a 2 e ficaram com o vice-campeonato.

Quatro anos depois veio a revanche.

Na Copa de 1990, disputada na Itália, Alemanha Ocidental e Argentina voltaram a se enfrentar na final.

Dessa vez, os alemães venceram por 1 a 0 e conquistaram seu terceiro título mundial.

Beckenbauer, portanto, tornou-se campeão mundial pela Alemanha em duas funções completamente diferentes: como capitão em 1974 e como treinador em 1990. A DFB registra oficialmente os dois títulos em seu histórico.

É uma característica que torna sua trajetória pela seleção ainda mais singular.

Os títulos de Franz Beckenbauer pela Alemanha

Como jogador da Alemanha Ocidental, seus dois principais títulos foram:

  • Eurocopa de 1972
  • Copa do Mundo de 1974

Além deles, Beckenbauer foi vice-campeão mundial em 1966, terceiro colocado em 1970 e vice-campeão europeu em 1976.

Como treinador, acrescentou:

  • Copa do Mundo de 1990

Também conduziu a Alemanha ao vice-campeonato mundial de 1986.

Por que Beckenbauer era chamado de Kaiser?

O apelido Kaiser, palavra alemã normalmente traduzida como “imperador”, tornou-se inseparável de Franz Beckenbauer.

Ele combinava características que ajudavam a justificar a imagem: elegância, liderança, autoridade e uma maneira extremamente segura de controlar a partida desde a defesa.

Com o passar dos anos, o apelido deixou de ser apenas uma referência ao jogador.

Dizer Der Kaiser passou a ser praticamente outra maneira de dizer Franz Beckenbauer.

Beckenbauer, Gerd Müller e a grande geração alemã

Embora Beckenbauer seja frequentemente o rosto daquela geração, o sucesso da Alemanha do começo dos anos 1970 não pode ser explicado por apenas um jogador.

Gerd Müller era uma máquina de gols.

Sepp Maier dava segurança no gol.

Paul Breitner oferecia qualidade e personalidade.

E Beckenbauer comandava a equipe a partir de trás.

Essa base conquistou a Eurocopa de 1972 e a Copa do Mundo de 1974, formando uma das gerações mais importantes da história da seleção.

Beckenbauer e Lothar Matthäus: duas gerações campeãs

Existe ainda uma ligação interessante entre Beckenbauer e outra lenda alemã.

Em 1974, Beckenbauer levantou a Copa como capitão.

Em 1990, estava à beira do campo quando Lothar Matthäus, capitão daquela geração, levantou novamente o troféu.

Beckenbauer participou diretamente dos dois momentos.

É uma ponte extraordinária entre duas eras diferentes da seleção alemã.

O legado de Franz Beckenbauer na Seleção Alemã

O legado de Beckenbauer pode ser observado em três dimensões.

A primeira está nos resultados: campeão europeu, campeão mundial como jogador e posteriormente campeão mundial como treinador.

A segunda está na liderança: foi capitão de uma das gerações mais importantes da história alemã.

E a terceira talvez seja ainda maior: sua influência sobre a própria interpretação do futebol defensivo.

Beckenbauer mostrou que um jogador posicionado atrás da defesa poderia participar ativamente da criação, conduzir a bola, organizar ataques e controlar o ritmo da equipe.

Por isso, sua história ultrapassa as 103 partidas disputadas pela Alemanha.

Franz Beckenbauer tornou-se um dos símbolos de uma época em que o futebol alemão se consolidou definitivamente entre as grandes potências mundiais — primeiro dentro de campo e, anos depois, novamente à frente da seleção.

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