Por Que Neymar Saiu do PSG?

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Resumo
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A saída de Neymar do Paris Saint-Germain em agosto de 2023 marcou o fim de uma era controversa no futebol europeu. Após seis anos defendendo a Camisa do PSG, o brasileiro deixou a França rumo à Arábia Saudita para jogar no Al-Hilal, encerrando uma passagem repleta de conquistas nacionais, mas também de frustrações, lesões e polêmicas que culminaram em uma ruptura inevitável entre jogador e clube.

A transferência para o Al-Hilal por 90 milhões de euros não foi apenas uma decisão financeira, mas a única saída possível para uma relação que havia se tornado insustentável. Você pode perceber que diversos fatores se acumularam ao longo dos anos, transformando o que deveria ser um casamento perfeito em uma despedida amarga e necessária.

A conversa decisiva com Luis Enrique

O momento que selou definitivamente o destino de Neymar no Paris Saint-Germain aconteceu em uma conversa franca entre o atacante e o recém-chegado técnico Luis Enrique. Segundo revelou Luis Campos, diretor de futebol do PSG, o treinador espanhol foi direto ao ponto logo nos primeiros encontros.

“Luis Enrique foi o primeiro a dizer a Neymar: ‘É bom que você saia’. Disse isso pessoalmente. Porque pensa no futebol de forma diferente: jogar em equipe, jogar com quem for o melhor nos treinos da semana”, afirmou Campos. Você pode imaginar o impacto dessas palavras vindas de um técnico que havia comandado Neymar nos tempos áureos do Barcelona, quando juntos conquistaram a Champions League em 2015.

A decisão do treinador não foi comunicada apenas ao jogador. Luis Campos também confirmou sua participação no processo: “Eu disse a ele diretamente que o melhor para ele era ir embora”. Essa postura transparente e pragmática revelou a nova filosofia que o PSG pretendia implementar, priorizando o comprometimento coletivo e a regularidade nos treinos em detrimento do talento individual.

A ironia da situação não passou despercebida. Luis Enrique conhecia Neymar como poucos treinadores, tendo trabalhado com ele durante três anos no Barcelona. Mesmo reconhecendo o talento extraordinário do brasileiro, o técnico não hesitou em dispensá-lo em nome de um ambiente mais saudável no vestiário. Para você que acompanha futebol, isso demonstra como o esporte moderno exige mais do que habilidade técnica: pede disciplina, dedicação e entrega constante.

A turbulenta relação com Mbappé

Um dos fatores mais críticos que contribuíram para a saída de Neymar foi a deterioração de sua relação com Kylian Mbappé. O que deveria ser uma parceria vitoriosa transformou-se em uma disputa de poder que dividiu o vestiário do PSG e criou um ambiente tóxico para o brasileiro.

A tensão entre os dois jogadores atingiu seu ponto mais visível em agosto de 2022, durante a partida contra o Montpellier. Após Mbappé perder um pênalti no início do segundo tempo, Neymar assumiu a responsabilidade de cobrar outra penalidade mais tarde no jogo e converteu. O brasileiro, que tradicionalmente era o cobrador oficial de pênaltis do PSG, sentiu-se desrespeitado quando Mbappé tentou assumir essa função. Ao final da partida, Neymar curtiu publicações nas redes sociais que criticavam o francês, escancando publicamente o conflito.

Segundo o jornal L’Équipe, a raiz do problema estava na renovação de contrato de Mbappé em junho de 2022. Após assinar o novo vínculo, o atacante francês foi consultado sobre uma possível saída de Neymar e, embora não tenha pedido explicitamente sua saída, não se opôs à ideia. Você pode notar que essa postura foi interpretada pelo brasileiro e seu estafe como uma traição, criando um ressentimento profundo.

Fontes próximas a Neymar revelaram ao L’Équipe que o brasileiro estava “convencido, mesmo sem ter provas concretas, que Mbappé atuou nos bastidores para que ele fosse vendido”. Além disso, Neymar demonstrou espanto com os “plenos poderes” dados ao jovem companheiro de equipe, que tinha apenas 23 anos na época. A situação piorou durante o jogo contra a Juventus pela Champions League em setembro de 2022, quando Mbappé evitou tocar a bola para Neymar em vários momentos, levando o brasileiro a vê-lo como “arrogante” e “fominha”.

O clube parisiense, percebendo a impossibilidade de manter ambas as estrelas felizes, fez sua escolha. Desejando construir o projeto esportivo sobre Mbappé e atender suas demandas, o PSG indicou que faria as vontades do atacante francês. Não à toa, a saída de Neymar coincidiu com a reintegração de Mbappé ao elenco após uma crise contratual. A mensagem estava clara: não havia mais espaço para os dois no mesmo vestiário.

O martírio das lesões recorrentes

As lesões foram um dos maiores obstáculos na trajetória de Neymar no Paris Saint-Germain, prejudicando não apenas seu rendimento individual, mas também comprometendo as ambições do clube nas competições mais importantes. Você pode observar que o histórico de contusões do brasileiro começou ainda antes de sua chegada a Paris.

Segundo revelação bombástica do jornal L’Équipe em novembro de 2023, Neymar teria chegado ao PSG já lesionado em 2017, vindo do Barcelona com uma fratura por estresse no quinto metatarso do pé direito. O ex-médico do clube francês, Éric Rolland, confirmou a informação, explicando que o brasileiro não foi operado imediatamente por conta do frenesi causado pela maior transferência da história do futebol. Essa lesão inicial explicaria a recorrência de problemas futuros na mesma região.

Em 2018 e 2019, Neymar sofreu fraturas no quinto metatarso que o deixaram de fora das oitavas de final da Champions League em duas temporadas consecutivas. Essas ausências foram devastadoras para o PSG, que foi eliminado pelo Real Madrid e Manchester United justamente nos jogos em que seu principal astro estava no departamento médico. Você pode imaginar a frustração dos torcedores e da diretoria ao verem o jogador mais caro da história indisponível nos momentos mais decisivos.

Além das fraturas no pé, Neymar acumulou uma série impressionante de lesões durante seus seis anos em Paris. Em 2019, sofreu um rompimento de ligamentos do tornozelo que o cortou da Copa América daquele ano. Problemas no adutor da coxa, tornozelos, costelas e diversos outros acometimentos musculares mantiveram o brasileiro regularmente afastado dos gramados.

As estatísticas são alarmantes: em 2021, por conta de problemas musculares e outras lesões, Neymar desfalcou o PSG em 28 das 61 partidas que a equipe disputou. Ao longo de seis temporadas, o brasileiro marcou 118 gols e deu 55 assistências em apenas 173 jogos, números que poderiam ter sido muito maiores não fossem as constantes paralisações. Um médico do PSG entrevistado pelo L’Équipe defendeu que as lesões não estavam relacionadas ao estilo de vida extracampo de Neymar, mas sim à sua morfologia, estilo de jogo com dribles e posturas dinâmicas.

A frustração eterna da Champions League

Se há um fracasso que resume toda a passagem de Neymar pelo PSG, esse fracasso tem nome: Champions League. O projeto ambicioso que levou o clube parisiense a investir 222 milhões de euros no brasileiro tinha um objetivo claro – conquistar a competição mais prestigiada da Europa. Essa meta nunca foi alcançada, tornando-se a maior decepção da era Neymar em Paris.

Apesar dos seis títulos do Campeonato Francês conquistados durante sua passagem, no grande projeto do clube de vencer a Uefa Champions League, o camisa 10 não conseguiu ter sucesso. Em seis temporadas, o PSG passou das oitavas de final somente duas vezes, sendo vice-campeão da Champions em 2020, ano em que a fase de mata-mata foi realizada em duelos únicos em Lisboa.

Aquela final perdida para o Bayern de Munique por 1 a 0 representou o momento mais próximo que Neymar chegou de realizar seu sonho parisiense. Você pode ver pelas imagens da época que o brasileiro não escondeu a frustração, chorando copiosamente após o apito final. Laurent Fournier, lenda do PSG, admitiu que esperava mais de Neymar naquela decisão: “Ele foi o mais decepcionante. Não estava tão sorridente. Mostrou em seu rosto. Ele parecia tenso desde o início”.

As eliminações precoces marcaram toda a trajetória do brasileiro no clube. Em 2021, após a derrota para o Manchester City nas semifinais, a imprensa europeia foi implacável. O jornal Mundo Deportivo destacou que em oito temporadas na Europa, Neymar só conseguiu ser campeão uma vez da Champions League – em 2015 com o Barcelona. A revista France Football classificou sua atuação contra o City como “insuportável” e “catastrófica”, criticando seu individualismo excessivo.

A frustração de Neymar com as eliminações era visível. Em março de 2022, após outra derrota para o Real Madrid, o brasileiro declarou em um evento: “Voltei de lesão dando a minha vida para estar naquele momento. Por mais que fosse para perder, mas pelo menos estaria com o time dando a cara a tapa”. Essa dedicação, no entanto, nunca foi suficiente para quebrar a maldição do PSG na principal competição europeia.

O desgaste com a torcida parisiense

A relação entre Neymar e a torcida do Paris Saint-Germain começou apaixonada, mas terminou de forma tóxica e até mesmo perigosa. As vaias, protestos e até invasões à casa do jogador tornaram insustentável sua permanência na capital francesa, criando um ambiente hostil que contribuiu decisivamente para sua saída.

As primeiras manifestações negativas da torcida surgiram após as frustrantes eliminações na Champions League. Em março de 2022, após a derrota para o Real Madrid, Neymar e Messi foram vaiados pela torcida durante a partida contra o Bordeaux pelo Campeonato Francês. Você pode perceber que os torcedores não perdoavam as atuações abaixo do esperado nos momentos decisivos.

A situação atingiu níveis alarmantes em maio de 2023, quando torcedores organizados do PSG foram até a residência de Neymar nos arredores de Paris e gritaram para que ele deixasse o clube. “Neymar, vá embora”, gritavam os ultras em frente à casa do brasileiro. O jogador confirmou o episódio nas redes sociais, comentando publicações sobre o protesto e demonstrando seu desconforto com a situação.

Em entrevista posterior, Neymar desabafou sobre como se sentiu tratado: “Para mim, houve injustiça, porque sempre dei tudo de mim em campo. Não tenho ressentimentos, mas fiquei um pouco triste com a forma como fui tratado pelos torcedores, principalmente quando eles vinham à minha casa, quando queriam invadir minha casa, me insultar ou até tentar me agredir. Para mim, eles ultrapassaram os limites”.

Os protestos não se limitaram à residência do jogador. Torcedores também invadiram o centro de treinamento do PSG em outras ocasiões, criando um clima de tensão constante. Segundo o jornal Le Parisien, a invasão ao ambiente privado de Neymar teve repercussão muito pior entre os jogadores do que os grandes protestos no Parque dos Príncipes, com companheiros de equipe falando em “cenas malucas” e “caos”.

As vaias também foram frequentes ao longo dos anos. Em setembro de 2019, quando Neymar queria deixar o PSG para voltar ao Barcelona, ele sobreviveu a 92 minutos de vaias no Parque dos Príncipes. Mesmo em vitórias, como contra o Angers em outubro daquele ano, o brasileiro ouviu vaias da ala destinada aos Ultras. Esse desgaste constante com a torcida tornou Paris um lugar onde Neymar não se sentia mais feliz.

As polêmicas extracampo e críticas ao comportamento

O comportamento de Neymar fora dos gramados foi constantemente alvo de críticas na França, alimentando a percepção de que o jogador não tinha o comprometimento profissional necessário para liderar um projeto vencedor. Embora algumas acusações tenham sido exageradas, você pode notar que as polêmicas extracampo contribuíram para desgastar sua imagem perante torcida e dirigentes.

As festas do brasileiro foram tema recorrente na mídia francesa. Em dezembro de 2020, Neymar organizou uma festa de Réveillon em Mangaratiba, no Rio de Janeiro, com expectativa de 150 pessoas, durante a pandemia de COVID-19. O jornal Le Parisien revelou que o PSG tinha ciência do evento e que, nos bastidores, havia críticas ao principal astro do time. Uma fonte ligada ao clube declarou: “E pensar que o Neymar personifica o projeto do clube… Ele não dá a mínima para as repercussões”.

Em maio de 2021, o jogador foi criticado por aglomerar em meio à pandemia, sendo visto em um restaurante de São Paulo com diversas personalidades. Dias depois, teria promovido uma festa clandestina em sua mansão em Mangaratiba, gerando novas polêmicas sobre seu estilo de vida.

Ex-jogadores do PSG não pouparam críticas. Jérôme Rothen, que também defendeu a Seleção Francesa, disparou em programa de rádio em janeiro de 2022: “Como podemos aceitar isto de um jogador que não esteve em 50% dos jogos e que tem, em comparação com outros anos, proporção de gols e assistências baixa? Está menos eficiente, o que é normal à medida que envelhece, ganha peso e não tem o estilo de vida adequado”.

No entanto, uma defesa inesperada veio de Luc Wattelle, prefeito de Bougival, cidade nos arredores de Paris onde Neymar residia. Wattelle revelou ao L’Équipe que as festas não foram tão numerosas quanto a mídia divulgava, ocorrendo apenas em três ocasiões durante todo o período no PSG: para comemorar um título, para as eleições brasileiras e para seu aniversário. O prefeito admitiu que temeu problemas com a chegada do jogador, mas foi surpreendido pela “discrição” do brasileiro.

Apesar dessa defesa, a percepção de que Neymar privilegiava a vida social em detrimento da carreira já estava consolidada na França. Essa imagem, combinada com as lesões frequentes e o desempenho abaixo do esperado na Champions, tornou sua posição no clube cada vez mais frágil.

A obsessão pelo retorno ao Barcelona

Um dos aspectos mais reveladores sobre a insatisfação de Neymar no PSG foi sua persistente tentativa de retornar ao Barcelona. Desde os primeiros anos em Paris, o brasileiro demonstrou arrependimento pela transferência de 2017, fazendo de tudo para reverter aquela decisão e voltar ao clube catalão.

Segundo o jornal El Mundo, Neymar e seu estafe mantiveram contato com a diretoria do Barcelona e chegaram a ligar cinco vezes “implorando” por uma repatriação cerca de um ano e meio depois da saída. Fontes próximas ao camisa 10 confirmaram as conversas, que iniciaram no fim da temporada europeia de 2017/18 e se estenderam ao longo dos meses seguintes, inclusive com contatos do pai de Neymar com o presidente Josep Maria Bartomeu e outros dirigentes.

A tônica dos representantes do brasileiro foi considerar um erro a transferência para o Paris Saint-Germain, ressaltando a insatisfação e o arrependimento do próprio atleta com a escolha. O pai de Neymar teria feito críticas aos franceses, alertando que não havia um bom projeto esportivo por parte do clube.

Em 2019, a novela da possível volta ganhou novos capítulos. O Barcelona fez diversas propostas ao PSG tentando repatriar Neymar. Segundo o Mundo Deportivo, uma das ofertas incluía um empréstimo por duas temporadas com obrigação de compra, além de pagamentos anuais ao PSG. Outra proposta mencionada envolvia cerca de 600 milhões de reais, a transferência de Rakitic ao PSG e a cessão por empréstimo de Ousmane Dembélé por uma temporada.

Você pode ver pelo ge que Neymar não escondia de pessoas próximas o arrependimento pela ida ao PSG. O craque admitia a amigos que a decisão tomada dois anos antes não saía de sua cabeça e que estava convencido de que o retorno ao Barça era a melhor opção. Ele mantinha contato com os amigos Messi e Suárez, o que ajudou a aumentar a pressão em cima dos dirigentes blaugranas por sua contratação.

Havia condições para Neymar voltar: ele teria de reduzir substancialmente o salário em relação ao que recebia no PSG e retirar a ação que possuía na Justiça contra o clube por um bônus de renovação não pago no valor de 26 milhões de euros. Mas nenhuma delas era vista como grande entrave pelo estafe do craque, pois o desejo dele falava mais alto.

Em suas próprias palavras, Neymar explicou no documentário da Netflix “O Caos Perfeito” por que quis sair: “Quis sair do PSG porque queria me sentir melhor em outro lugar”. No entanto, apesar de todas as tentativas, o negócio nunca se concretizou. Em 2023, quando Neymar novamente se ofereceu ao Barcelona, o técnico Xavi recusou a contratação, acreditando que o brasileiro não se encaixava no sistema que pensava para a equipe.

A nova filosofia do PSG sob Luis Enrique

A chegada de Luis Enrique ao Paris Saint-Germain em julho de 2023 representou uma mudança radical na filosofia do clube, que passou a priorizar o futebol coletivo e a disciplina tática em detrimento das individualidades das estrelas. Essa transformação de mentalidade tornou a permanência de Neymar incompatível com o novo projeto parisiense.

Luis Enrique deixou clara sua visão de futebol desde o primeiro momento. Segundo Luis Campos, o treinador espanhol pensa “no futebol de forma diferente: jogar em equipe, jogar com quem for o melhor nos treinos da semana”. Essa filosofia se chocava frontalmente com o estilo de Neymar, conhecido por suas genialidades individuais, mas também por questões de disciplina e comprometimento que geraram atritos ao longo dos anos.

O técnico espanhol não hesitou em tomar decisões difíceis. Além de Neymar, ele também pediu a saída de Marco Verratti, principal parceiro do brasileiro no PSG. Você pode perceber que Luis Enrique estava disposto a sacrificar até mesmo jogadores talentosos se eles não se adequassem à sua visão de jogo coletivo e comprometimento total.

Inicialmente, Luís Campos tentou persuadir Luis Enrique a levar Neymar para a pré-temporada no Japão, visando vendê-lo por um preço maior. O diretor acreditava que a participação do brasileiro na turnê asiática valorizaria sua transferência. No entanto, conforme testemunha ao jornal francês L’Équipe: “Luís Campos convenceu Luis Enrique a levar Neymar ao Japão para vendê-lo por um preço maior. Mas já não funcionava. O seu compromisso já não era o mesmo”.

A decisão do treinador foi comunicada de forma direta e sem rodeios. O mal-estar começou após Luis Enrique falar para Neymar que não o levaria para a pré-temporada pelo Japão, e o aviso para procurar outra equipe veio no mesmo dia. Essa transparência, embora dolorosa, evitou prolongar uma situação insustentável.

Luis Campos justificou posteriormente que a saída seria para o bem das finanças do Paris Saint-Germain. De fato, a venda de Neymar ao Al-Hilal por um montante de 483 milhões de reais rendeu a maior venda da história do clube francês. Mas além do aspecto financeiro, a mudança permitiu que o PSG construísse um elenco mais equilibrado e coeso.

Em coletiva de imprensa após a saída do brasileiro, Luis Enrique demonstrou diplomacia: “Creio que foi alcançada uma situação favorável para todos. Queria agradecer o Neymar pelo comportamento ao longo do tempo que estive aqui e pelos anos anteriores. Foi um jogador muito importante, de classe mundial e que segue demonstrando seu nível. Creio que foi uma situação favorável para todas as partes e desejo o melhor em seu futuro”.

A ironia da história é que Luis Enrique e Neymar já haviam trabalhado juntos no Barcelona entre 2014 e 2017, quando conquistaram a Champions League em 2015. Neymar inclusive marcou um dos gols da final contra a Juventus. Mas os dois também tiveram problemas extracampo nos tempos de Barcelona, principalmente nas temporadas 2015/16 e 2016/17, o que pode ter influenciado a decisão do treinador de não dar uma segunda chance ao brasileiro.

A nova filosofia implementada por Luis Enrique mostrou-se bem-sucedida. Na temporada seguinte à saída de Neymar, o PSG finalmente conquistou a tão sonhada Champions League, com direito a goleada sobre a Inter de Milão na final. Esse resultado validou a estratégia do técnico espanhol de priorizar o coletivo sobre as estrelas individuais, demonstrando que nem sempre o talento individual é suficiente para alcançar os maiores objetivos no futebol moderno.

A única saída possível: Al-Hilal

Quando todos os caminhos pareciam bloqueados na Europa, restou a Neymar apenas uma alternativa para encerrar imediatamente seu vínculo com o PSG: aceitar a proposta milionária para vestir a Camisa Al-Hilal, da Arábia Saudita. Para muitos, a transferência soou como uma escolha puramente financeira, mas a realidade era mais complexa – foi a única solução disponível para que o brasileiro deixasse um lugar onde não se sentia mais feliz.

Segundo apurou o ge, Neymar não desejava mais ficar em Paris e o clube também não queria mais o jogador. O brasileiro foi comunicado pelo técnico Luis Enrique que não fazia parte do plano da comissão técnica. Além disso, o imbróglio com Kylian Mbappé também pesou neste processo, com a diretoria parisiense dando sinais de que atenderia as demandas do astro francês, que considerava que não havia mais espaço para os dois no elenco.

O desejo de Neymar era voltar para o Barcelona ou para outra equipe europeia de ponta que pudesse contratá-lo, mas nos últimos dez dias antes da transferência nenhum gigante europeu apresentou propostas. Além de o Barça não ter dinheiro disponível para executar a contratação, o técnico Xavi Hernández não aprovou o nome do brasileiro. Você pode imaginar a frustração de Neymar ao ver todas as portas europeias se fecharem.

Enquanto isso, o Al-Hilal, com seu orçamento turbinado pela Saudi Pro League, ofereceu valores que agradaram os dois lados, Neymar e o PSG. O clube saudita acertou a contratação por 90 milhões de euros pagos ao PSG, chegando ao valor mínimo que os franceses pediam para vender o jogador. Para Neymar, o Al-Hilal ofereceu um contrato de dois anos com salário de 100 milhões de euros anuais, totalizando 320 milhões de euros no período.

O maior artilheiro da história da seleção brasileira junto a Pelé ficou com duas opções: arriscar ficar no PSG, podendo até ser afastado do elenco porque o treinador não contava mais com ele, ou ir para a Arábia Saudita, encerrando seu vínculo com o clube parisiense quatro anos antes do previsto. Neymar tinha contrato com o time francês até 2027, portanto permanecer significaria passar anos sem jogar ou sendo marginalizado.

A escolha foi rumar à Ásia com contrato mais curto, até 2025, quando ele esperava poder voltar à elite do futebol europeu. Essa expectativa revelava que Neymar não via a Arábia Saudita como destino definitivo, mas como uma ponte para reconstruir sua carreira e eventualmente retornar à Europa em melhores condições.

A transferência para o Al-Hilal foi anunciada oficialmente em agosto de 2023. Neymar se juntou aos novos companheiros de equipe Kalidou Koulibaly, Rúben Neves e Sergej Milinković-Savić, que haviam se mudado para a equipe no início da janela de transferências. O clube é um dos quatro – junto com Al Nassr, Al Ahli e Al Ittihad – que foram adquiridos pelo PIF (Fundo de Investimento Público) da Arábia Saudita em junho como parte do chamado “Investimento e Privatização de Clubes Esportivos” do país.

Na despedida, o presidente do PSG, Nasser Al-Khelaifi, demonstrou respeito: “É inevitavelmente difícil dizer adeus a uma lenda do clube, que Neymar sempre será. Nunca esquecerei o dia em que ele chegou ao Paris Saint-Germain, nem o que ele trouxe ao nosso clube e ao nosso projeto nos últimos seis anos”.

Com a ida para a Arábia Saudita, Neymar encerrou sua passagem de 10 temporadas pelo futebol europeu, dos quais seis anos no PSG. Ele chegou ao time francês como jogador mais caro da história e saiu com o projeto de alçar o clube ao topo da Europa frustrado, mas deixando um legado de 118 gols, 55 assistências em 173 jogos e 13 títulos nacionais.

A saída de Neymar do PSG foi, portanto, resultado de uma combinação fatal de fatores: a mudança de filosofia do clube sob Luis Enrique, a relação deteriorada com Mbappé, as lesões recorrentes, a frustração pela Champions League, o desgaste com a torcida, as polêmicas extracampo e a impossibilidade de retornar ao Barcelona. O Al-Hilal não foi a escolha dos sonhos do brasileiro, mas foi a única escolha possível para encerrar um ciclo que já havia se esgotado há muito tempo.

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